sábado, 11 de janeiro de 2014

Conhecendo o Profeta Oseias

 "Porque eu quero a misericórdia e não os sacrifícios"  Oseias 6, 6

     Oseias é conhecido como o profeta do amor e da ternura. Não temos muita informação sobre a sua Origem. Sabemos que seu pai se chamava Beeri, "meu poço", e o nome de Oseias significa "Javé ajudou" (cf. Os 1, 1)
     Oseias recebeu a palavra do Senhor durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias em Judá e de Jeroboão II em Israel (783- 743 a.C.). Sua profecia tem início no final do reinado de Jeroboão e vai até um pouco antes da invasão da Samaria, em 722 a.C.
     
Contextos históricos 
      
     No tempo de Jeroboão II, Israel faz aliança de paz com o Reino do Sul, Judá, e juntos eles controlavam as rotas comerciais. Foi um tempo de grandes prosperidades para as elites do norte (cf. 2Rs 14, 25-27; Am 6, 1-7). Com a morte de Jeroboão II e o crescimento da Assíria no âmbito internacional, a situação do Reino do Norte muda completamente. Uns apoiam a Assíria e outros não. Começa a guerra civil.
   Em duas décadas, seis reis que ocupavam o trono de Israel foram assassinados. A situação é de insegurança e de instabilidade. A corrupção está instalada na corte e nos partidos políticos (cf. Os 6,8-10; 7, 1-7). Há constantes conflitos com a Assíria.
    O rei Faceis de Israel fez aliança com o rei de Damasco, capital da Síria, com o objetivo de barrar o avanço da Assíria e parar de pagar os impostos da primeira etapa de vassalagem. Pede ao rei de Judá que faça o mesmo, mas este não aceita. Judá faz aliança com a Assíria e se torna um reino vassalo (cf. Os 5,8-12)
    Com as revoltas internas e a guerra siro-efraimita (734- 732 a.C.). a monarquia de Israel chega ao fim (722 a.C.). A Assíria domina várias cidades de Israel e leva seus habitantes deportados (cf. 2Rs 15, 29). Com isso, muita gente imigrou para Judá levando a tradição profética do norte.
    Os discípulos de Oseias provavelmente estão entre esses migrantes. 
    A profecia de Oseias critica as autoridades de sua época.
    Ele é contra a monarquia e sua política interna e externa, contra as elites, o sacerdócio oficial e o exército. Ele denuncia a opressão política, econômica e religiosa. 
    Aquilo que está acontecendo nas duas esferas contrais da vida pública, a política e o culto, é para Oseias sinônimo de "afastar-se de Javé", que ele compara com a prostituição e o Adultério.

Redação
   
    Como muitos livros da Bíblia, o livro de Oseias também não foi escrito de uma só vez. Ele passou por releituras em diferentes períodos da história:

1ª. Tempo da profecia (759 a 724 a.C.);
2ª. Primeira redação, logo após a queda da Samaria, em 722 a.C.;
3ª. Segunda redação, no tempo de Josias pelos deuteronomistas, por volta de 620 a.C.;
4ª. A redação exílica, entre os anos 597 e 539 a.C.

• Alguns estudiosos afirmam que os discípulos de Oseias colecionaram os discursos, colocaram uma ordem, modificaram alguns oráculos e, sendo fiéis ao estilo de Oseias, fizeram a primeira redação. A história de que Javé manda Oseias casar com uma mulher de prostituição pode ser uma criação dos primeiros escritores.

• A segunda redação do livro foi no tempo de Ezequias, no Reino de Judá. Ezequias fez várias reformas, criou uma centralização econômica e religiosa (cf. 2Rs 18).

• Para justificar a sua reforma como a do Templo, como único lugar oficial do culto, e a de Javé como Deus único, os escribas da corte retomam as leis vindas do Reino do Norte e fazem uma nova redação, dando origem ao núcleo antigo do Deuteronômio. Alguns textos de Oseias precisam ser lidos a partir da perspetiva da escola deuteronomista, por exemplo: os protestos contra as romarias feitas aos santuários do norte, Betel e Guigal (4, 15; 6,10; 9,15); a forte rejeição ao bezerro de ouro (8,5-6; 10, 5-6); as denúncias contra as práticas religiosas (4, 17-19; 9, 4). Há oráculos que insistem na eliminação de outras divindades, o que fortalece o culto a Javé como Deus único (13, 4) e a obediência à Lei (8, 1. 12).
   Esses aspectos são provavelmente do tempo de Josias (cf. 2Rs 23), considerado da terceira redação.

• A quarta redação: no exílio, em meio à falta de perspectiva e à escravidão, os oráculos de Oseias são retomados para reavivar a esperança do povo. E possivelmente a teologia do Deus único é reforçada pelos teocratas no pós-exílio. E assim temos na Bíblia um livro estruturado em sua redação final.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Catecumenato e Catecúmenos

Nos Primeiros séculos da Igreja, o catecumenato teve grande importância. Perdeu sua força por conta da afirmação definitiva do Cristianismo e da prevalência do Batismo de crianças. Reapareceu no século XVI, em terras de missão. Numa sociedade descristianizada como a nossa, ele se tornou uma necessidade pastoral.

   Hoje, quantos pais e padrinhos dão garantias ou fundada esperança de que a criança será educada na religião católica? "Se essa esperança faltar de todo, o Batismo seja adiado" (cân. 868, §1, n 2°). Quais as reais motivações dos pais e padrinhos que não tem vivência eclesial ou quase nenhuma, não estamos colaborando para a banalização e o entendimento mágico do Batismo? A restauração sistemática e a revalorização do catecumenato não serão o caminho para uma Igreja mais viva e testemunhal na sociedade atual?
   O Concílio Vaticano II restabelece o catecumenato dos adultos (Sacrosanctum Concilium, 64) e define a sua natureza e as finalidades, afirmando que "o catecumenato não é mera exposição de dogmas e preceitos, mas uma educação de toda a vida cristã e uma educação de toda a vida cristã e um tirocínio de certa duração, com o fim de unir os discípulos com Cristo seu Mestre" (cf. cânon 788, §1 e 2). Portanto a iniciação cristã dos adultos, catecumenato, é um processo em que as verdades da fé são integradas à vida. Há diversos passos para serem dados na caminhada testemunhal : a) quando alguém se aproxima de uma conversão inicial, deseja-se tornar-se cristão e é recebido pela Igreja como catecúmeno; b) quando, já adiantado na fé, é admitido a uma preparação mais intensiva para os sacramentos; c) depois de uma preparação espiritual, recebe os sacramentos da iniciação cristã. 
  Qual a duração do catecumenato? O Ritual da Iniciação Cristã de Adultos orienta: "Nada pode ser estabelecido a priori. Compete ao bispo determinar o tempo e a disciplina do catecumenato... A duração do tempo do catecumenato não só depende da graça de Deus como das diversas circunstâncias...". 
  Catecúmenos são os não batizados que manifestam vontade explícita de se incorporar à Igreja, já acreditam em Jesus Cristo e levam uma vida de fé, de esperança, de caridade juntamente com os batizados. "Já pertencem à casa de Cristo" (Ad Gentes, 14, 4), embora ainda não sejam cristãos. fazem parte da comunidade eclesial de modo não pleno. Só o Batismo realiza plenamente a incorporação à Igreja. Preparam-se  oficialmente para receber os sacramentos da iniciação cristã. "A Igreja, por sua vez, dedica cuidado especial aos catecúmenos e , quando os convida a viver uma vida evangélica e os introduz na celebração dos ritos sagrados, já lhes concede diversas prerrogativas, que são próprias dos cristãos" (cân. 206, §2). 
    De quais prerrogativas ou direitos os catecúmenos gozam? podemos citar: a liberdade de abraçar a fé, como qualquer ser humano (cf. cân. 748, §1); o direito às exéquias eclesiásticas (cân. 1183, 1); São membros da comunidade cristã, entendida na sua dimensão social e não enquanto Igreja como Corpo Místico de Cristo (cân. 206, §2 e 788, §2); o direito de participar, dentro de certos limites, da liturgia e da atividade pastoral da Igreja (cân. 788, §2);  o direito à instrução religiosa geral e específica (cân. 788, §2) ; o direito natural á liberdade de constituir ou participar de associações de catecúmenos ou até de associações de fiéis; o direito e o dever de participar ativamente na realização dos fins da Igreja (cân. 788, §2); o direito de professar a fé cristã, de receber os sacramentais e o dever de levar uma vida evangélica (cân. 788, §2); e , sobretudo o direito de receber o Batismo. 

"Nós, com o Batismo, somos imersos naquela inexaurível fonte de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e graças a este amor podemos viver uma vida nova, não mais à mercê do mal, do pecado e da morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos." (Papa Francisco)


 “Convido vocês a manterem o entusiasmo dos momentos que os fizeram abrir os olhos à luz da fé; a recordar, assim como o discípulo amado, o dia e a hora em que pela primeira vez vocês sentiram Jesus, Seu olhar sobre vocês. E assim, terão sempre certeza do amor fiel do Senhor. Ele nunca os trairá!” (Papa Francisco aos catecúmenos) 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Prefácio na Missa: Teologia e Temas

A celebração eucarística nos propicia um grande milagre: Jesus Cristo se torna presente mas espécies do pão e do vinho. Este Milagre é um grande mistério, pois, para ser compreendido, exige grande fé e humildade. 

   Desde os primeiros séculos, a Igreja tem consciência e professa esta grande verdade: a presença real do Senhor na comunhão sagrada.
   A liturgia eucarística se inicia propriamente com o ofertório, mas sua centralidade se inicia com o prefácio. Para tanto, o prefácio é considerado o ponto central e culminante da oração eucarística.
   O objetivo do prefácio é dar raças ao ai por tudo que Ele fez. Mais precisamente, nesta oração, a igreja dá graças ao Pai, Criador e Senhor de todas as coisas, em nome de Cristo e no Espírito Santo, por todas as suas obras. Os três grandes pontos da gratidão são a criação, a redenção e a santificação, que é a ação trinitária mais bem elaborada. A Trindade é louvada pela criação, obra de Deus Pai, pela redenção, ação operada pela encarnação do Verbo, e pela santificação, atualizada pela presença do Espírito Santo entre nós.

História da salvação em conta-gotas

   O prefácio da missa tem uma grande variedade, como podemos constatar. Além disso, os prefácios são bem definidos e têm suas celebrações específicas. De fato, se o objetivo do prefácio é narrar a história da Salvação, esta história é narrada em temas específicos. Como o prefácio quer sempre enaltecer a figura de Deus Pai, por sua criação e por nos ter enviado o Filho e o Espírito Santo, cada prefácio conta um pouco da ação divina em favor do seu povo. Em geral, o prefácio se inicia com a exaltação do ai, descrevendo alguns de seus atributos, como grande, misericordioso e santo. Deus é santo e fonte de toda a santidade. Segue-se que os prefácios ilustram a razão desta santidade e desta misericórdia. Por ter vindo em socorro da humanidade, por ter enviado os profetas e por ter nos socorrido. Mas a sua mais excelsa atitude é ter enviado seu próprio Filho.
   Aqui a tematização dos prefácios ganha contornos bem claros. Deus Pai é exaltado por ter comprido suas promessas, como vemos no advento, por ter enviado ser próprio Filho, como rezamos nos prefácios de natal. De modo semelhante, Deus é exaltado por nos ter ofertado seu próprio Filho como vítima na cruz (prefácios quaresmais) e por nos ter garantido a salvação como nos prefácios pascais. Todos os temas dos prefácios (santos, solenidades, marianos, etc.) ilustram a ação salvífica de Deus, que não desiste de seu povo, mas vem ao seu encontro. 


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Livro dos Salmos

   O livro dos Salmos é composto por 150 salmos, isto é, 150 orações. O termo salmo pode significar oração cantada e com o acompanhamento de instrumentos musicais. Dessa maneira, na oração e no canto do povo de Deus, podemos perceber como a história, as manifestações proféticas, sapienciais e a lei penetram no viver do povo e se transformaram em expressão de oração vive, marcada por todos os tipos de experiências e situações pessoais e comunitárias. Os Salmos nos levam a entender como a experiência de Fé penetra na vida e é um exemplo de como todos as situações da vida podem se tornar oração.
   Os Salmos são textos poéticos, a maneira mais apropriada como uma pessoa ou uma comunidade possa expressar seus sentimentos perante as realidades muitas vezes duras da vida, esta vida embevecida da promessa e do mistério de Deus, que é o principal amigo do ser humano; este Deus que é comprometido com a mulher e o homem na construção de sua história. A oração dos salmos nos indica como Deus participa da vida, da luta e da libertação do povo. Deste modo, os salmos são um convite para nós hoje, para que voltemos o nosso olhar e a nossa atenção para a nossa vida e para nossa história.
   Uma lição que os salmos podem nos dar, é a de uma grande descoberta: que Deus se faz sempre presente e pronto a nos ajudar na nossa caminhada no dia a dia, na construção de um mundo novo de paz e justiça, e que o contexto da fé nasce de um contexto mais abrangente da nossa história, e é a luz que ilumina a história.
   A base teológica de todos os salmos é o Deus do Êxodo (Ex 3, 7-8), o Deus que ouve o grito dos oprimidos, e se faz presente para libertá-los. É por causa desta base bíblica teológica que os salmos são expressões de oração que manifesta a experiência religiosa de fé, que os pobres tinham e têm em Deus, o amigo por excelência dos pobres. 
   Nós podemos perceber nas orações dos salmos como Deus nunca aprovou nem aprova as situações dos que se encontram em estado de miséria, pobreza, mendicância e abandono. Por isso, os salmos mostram como os povos oprimidos faziam, em forma de oração, sua reivindicações, suas denúncias, suas resistências aos poderosos, e até questionamentos ao próprio Deus. Os salmos são o grito do coração do pobre sedento de amor e justiça.
   A oração dos salmos foram, em primeiro lugar, experiência vital de um povo, que estava engajado, comprometido com a comunidade nas suas lutas, nos seus louvores e conflitos, sem dar brecha para injustiças, miséria ou alienação. 
   Os salmos foram, em primeiro lugar, experiência vital de um povo, e esta experiência foi rezada nas mais variadas formas possíveis: louvores, clamores, preces, e depois cantada, e os escritos foram usados de forma repetida. 
   Estas orações que chamamos de salmos não esgotam com a experiência a pessoa ou da comunidade que as criou, nem se limita à experiência de um único povo. Os salmos vão além, são uma forma de oração aberta que pode exprimir situações de outros povos e indivíduos, já que as estruturas históricas das situações parecem se repetir.
   Os escritos dos salmos são dos mais mencionados pelos autores do movo testamento. Nas palavras de Jesus podem encontrar várias citações com referência à oração dos Salmos. 


Veja: Podemos rezar os salmos de maldição?
http://www.youtube.com/watch?v=BZr5veskvCk

domingo, 5 de janeiro de 2014

O que é a Missa?

   A palavra "Missa" é o particípio do verbo latino "mitere", que significa mandar, enviar, despedir. Com o tempo, o particípio adquiriu o sentido de substantivo: missão, despedida, dispensa. É que nos primeiros séculos do Cristianismo, os catecúmenos (fiéis ainda não batizados), depois do sermão do Evangelho, eram convidados a se retirar, eram dispensados, despedidos. Só os cristãos batizados podiam participar da cerimônia até o fim. Mais tarde a palavra Missa se estendeu a toda a Liturgia Eucarística.
   Vamos até o Calvário. Está na hora de Jesus partir, a missão d'Ele chegou ao "fim", "tudo está consumado". Seu olhar se encontra com o olhar da Mãe, só os dois entendem o valor deste momento cruel. O coração de Jesus, vai parando, a cabeça, que pensara milhares de recursos para mudar o coração humano, se inclina. Os lábios que só tinham palavras de vida eterna, não se movem mais. Jesus entrega Seu espírito ao Pai e quer devolver Seu Corpo morto à Mãe, que espera ao pé da Cruz.
   Começam a arrancar os pregos que prenderam as Mãos que ofereceram o Pão da Vida, acalmaram as tempestades, livraram os homens de suas misérias. Estão roxas, o sangue não circula mais, o Coração foi aberto pela lâmina fria. Arrancaram também os cravos dos pés que procuraram a ovelha perdida, que deixaram marcas no pó da estrada da Palestina, ensinando o Caminho do céu.
   Trinta e três anos antes, o "céu" colocou um Menino cheio de vida nos braços de Maria; agora a terra O devolve morto. Os olhos de Maria fitam os de Jesus: estão fundos, vidrados, sem brilho, não reagem mais. O Corpo, quase não dá mais para reconhecê-Lo. Mas porque fizeram tudo isso com Jesus? Foi Ele próprio e o Pai que quiseram assim. Nenhum evangelista diz que Jesus morreu, e sim "Ele rendeu seu Seu espírito". "Não foi a morte que se aproximou d'Ele, foi Ele que foi ao encontro na morte", diz o pensador. Ele deu Sua Vida para servir, por que nos ama, e não foi obrigado ou condenado a isto, que não teria valor se isto não tivesse acontecido.
   Acabou a Obra de Jesus e começou a nossa. Ele precisa dos nossos pés, mãos, lábios, corações, enfim todo o nosso ser para continuar sua obra no mundo. "Tome a sua Cruz e siga-me", é palavra de ordem. "Completo em mim o que falta à Paixão do Senhor", nos ensina Paulo.
   A Missa traz, de novo, presente esta realidade: "Fazei isto em memória de Mim". Realiza-se sobre o altar tudo aquilo que Ele realizou. E nós aclamamos: "Recordamos ó Pai, neste momento a Paixão de Jesus, Nosso Senhor, e sua Ressurreição e Ascensão...".
   "A Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nossa Salvação e por nosso amor é exercida novamente, cada vez que se celebra o sacrifício da Missa", nos ensina a Igreja. "Todas as vezes que comerdes desde Pão e beberdes deste Cálice, anunciareis a Morte do Senhor até que Ele venha" (1Cor 11, 26).
   Uma coisa é fundamental na Missa:
1ª) O sacrifício, isto é, oferecer de novo a Deus Aquele que Se entregou no Calvário; 


"A Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nossa Salvação e por nosso amor é exercida novamente, cada vez que se celebra o Sacrifício da Missa

E ai, vai continuar a bater palmas na Missa, e fazer danças etc.? Lembre-se ↑ "Sacrifício da Missa"


Solenidade da Epifania do Senhor


      A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.
      A Solenidade da Epifania significa a grande Manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo como Rei de todo o Universo e a convocação de todas as Nações da terra para participarem do seu reinado. A festa da Epifania, portanto, é a Celebração do dia em que aqueles três magos do Oriente saíram e foram ao encontro do Senhor. Foram até Jerusalém, queriam saber quem era o Messias, ou melhor, quem era o Rei dos judeus que acabara de nascer.

      O que buscavam aqueles magos? O que buscavam aqueles três homens guiados por uma estrela? Eles buscavam o Rei! Eles buscavam uma luz, eles buscavam uma direção! O fato de eles serem magos nos dá a certeza de que eles eram investigadores, de que eles estudavam, e estudavam muito para conhecer os segredos da Terra, do mar e de todas as coisas. Alguns hoje continuam estes estudos por intermédio da astrologia; e também de outras coisas que não levam a nada, pois algumas pessoas acreditam em horóscopo, algumas pessoas querem saber a sua sorte com a ajuda do zodíaco. Tudo erro, tudo fantasia!




A temática predominante é a realeza, a soberania de Jesus, diante de quem todos os povos, representados pelos Magos do Oriente, se prostram em adoração. Na Epifania de Cristo celebramos a sua revelação como Rei, e ao analisarmos a cena de Belém vemos que Jesus nasceu e se manifestou a todos os povos e nações, sem distinção de classe social ou raça, vejamos:

• Observemos os Pastores (Lc 2): Na sociedade da época os pastores eram desprezados, porque não tinham possibilidade de cumprir todas as exigências da lei, e eram pobres e marginalizados pela sociedade.

• Observemos os Reis Magos (Mt 2): Homens ricos, com condições, um tanto, boas. E trazem presentes que na época eram caríssimos: Ouro, Incenso e Mirra (cf. Mt 2,11)

• Observemos a cor dos reis Magos: De acordo com a tradição, os magos são representados de cor Negra, Branca e Amarela, simbolizando todos os povos, raças e culturas que vem ao encontro de Jesus.

Observando esses três aspectos, dizemos que Jesus nasceu e manifestou sua realeza para todos...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Maria na Catequese

   A catequese sobre Maria poderá abranger grandes temas, como:

• Maria mãe de Deus

   A grandeza de Maria aparece, em primeiro lugar, no fato de ser mãe de Deus.
   A força do Espírito Santo envolver Maria com a sua sombra e a escolheu para ser mãe do primogênito de toda a humanidade, Jesus Cristo, o Filho de Deus. "O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1, 13)
   A partir do Concílio de Éfeso (ano 431), a Igreja proclamou a maternidade divina de Maria. Os padres conciliares proclamaram que Cristo é uma só pessoa com duas naturezas: a divina e a humana. Portanto, Maria, sendo mãe de Jesus (como homem), é verdadeiramente a mãe de Deus. Surgiu, então, no coração do povo, a devoção a Maria como mãe de Deus. 
    A constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, do Vaticano II dedica o capítulo VIII a Maria: "A bem-aventurada virgem Maria, mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja". Grande é a dignidade de Maria porque ela é mãe, seguidora de Jesus, testemunha e discípula de seu próprio Filho. A vida de Jesus passa pela experiência de Maria desde a concepção, infância e vida oculta até a sua vida pública, sua morte e ressurreição.
   Maria é mãe de Jesus e também é nossa mãe. Pelo fato de ter acompanhado Jesus até o calvário, acompanha hoje todos os seus filhos, que foram entregues a ela por Jesus quando disse a João: "Eis a tua mãe".
   Hoje, é importante invocar Maria como mãe da Igreja. Ela reconstrói o reino de Deus e nos ajuda a encarnar o evangelho no nosso tempo. 

• Maria discípula e missionária

   Só olhando a pessoa de Jesus é que se entende o discipulado cristão. O discípulo procura viver a vida do mestre. Por isso, o evangelista João afirma: "O que vimos, ouvimos e apalpamos é o que vos anunciamos" (1Jo 1, 1-3). Trata-se de um "saber" que se faz "ser" e "agir". O que o discípulo vê, ouve e experimenta modela a sua vida e manifesta num agir novo. Maria é a primeira discípula de Jesus porque identificou a sua vida com a vida dele. Viveu intensamente na escola do "mestre" Jesus. 
   Maria comunica a todos nós uma experiência feminina de discípula missionária com base numa realidade intensamente vivida. Sua figura de mulher livre e forte perpassa os evangelhos como verdadeiro segmento de Cristo. Ela, como primeira cristã, viveu essa experiência como mãe e como discípula, na compreensão profunda do projeto do Pai realizado por Jesus. 
   Olhando para Maria, reconhecemos nela a imagem perfeita da discípula missionária. Maria não apareceu nos grandes acontecimentos da sua época. Ela se se envolveu com gestos simples, ordinários, que constituíam a existência da grande massa das mulheres do seu tempo e também do nosso. Hoje, como Maria, há muitas mulheres seguidoras de Jesus que não aparecem nos jornais, nas revistas, do rádio e na televisão, mas fazem a história e constroem a vida da sociedade e da Igreja, tecida de dores e alegrias. 

• Maria Catequista

   Todo ato catequético é cristocêntrico; isto é, a mensagem central e fundamental da catequese é a pessoa de Jesus Cristo, e a catequese quer favorecer o encontro pessoal com ele, na comunidade de fé. 
   Maria, mediante o seu consentimento na fé, permite a realização pela do projeto do Pai: a entrega de seu Filho à humanidade para salvá-la e redimi-la.
   Nos evangelhos das comunidades de Licas e de João, Maria, a mãe de Jesus, é modelo de fé a ser proposto na catequese: diante da profecia de Simeão (cf. Lc 2, 34-35); ouvindo a resposta de Jesus no templo (cf. Luz 2, 50); confrontando-se em Caná com a aparente frieza de Jesus (cf. Jo 2, 4); compreendendo que são mais felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cf. Lc 11, 28); recebendo no alto da cruz o ministério maternal na Igreja, confiado por Jesus (cf. Jo 19, 26).
   Nos Atos dos Apóstolos, Lucas narra a presença de Maria na comunidade reunida em oração à espera do Espírito Santo. No dinamismo orante da comunidade encontra-se a pessoa de Maria, mulher catequista e discípula, atenta ás necessidades da Igreja nascente. Ela, a primeira discípula de Jesus, torna-se mãe da Igreja pela mesma atitude de Fé aberta ao Espírito.
   O povo cristão encontrou e encontra, através dos tempos, a presença evangelizadora da catequista de Nazaré.