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domingo, 23 de agosto de 2015

21° Domingo do Tempo Comum

"Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69)

Leituras: Josué 24, 1-2a. 15-17. 18b;
Salmo 33(34)
Efésios 5, 21-32
João 6, 60-69

 Recordando a Palavra:


   Todos ouviram as palavras do Mestre, mas nem todos tiveram a coragem de segui-los. Alguns pensaram que eram muitas as exigências, que não valeria enfrentar tantos desafios e desistiram. O grupo que está com Pedro permanece firme, pois entender que assumir todas as exigências vale a pena, porque as palavras de Jesus não são meras promessas passageiras, são "palavras de vida eterna".
   Neste Evangelho, vemos os discípulos entendendo que a opção por Jesus requer uma adesão completa, radical, absoluta. Alguns dos discípulos desejaram estar com Jesus, participar das curas, dos milagres, sem participar do compromisso de sua proposta; no momento de assumir esta decisão eles desistiram do seguimento do Mestre.
   A primeira leitura põe o povo diante de uma escolha fundamental. Josué organiza a assembléia de Siquém. O povo deve aceitar sua nova identidade teológica, social e cultural. Josué interpela o povo sobre a qual Deus quer servir. E o povo se decide, renovam a aliança que já haviam feito pelo Êxodo e no Sinal.
   Esta decisão, demonstrando a certeza de que Deus nunca abandona o que lhe são fiéis, é proclamada no Salmo: "Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta".
   Pedro e os discípulos, que não abandonaram o Mestre, também fizeram esta escolha. Depois da ascensão de Jesus ao céu, levaram ao mundo a proposta de vida com os valores que Ele pregou.
   Na segunda leitura, Paulo exemplifica como viver a proposta de Jesus na família, no testemunho do casal cristão, no amor e no respeito mútuo. 
   Também estabelece uma mesma relação de compromisso no amor, entre Cristo e a Igreja, ou seja, Cristo amou sua Igreja até o extremo de entregar sua própria vida por todos. Assim, aqueles que decidem segui-lo, também devem ter dedicação, respeito e demonstrar, em suas atitudes, escolhas e ações, imenso amor por Ele. 

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   "Vós também quereis ir embora?" Qual é nossa decisão após ouvirmos a proposta de Jesus? Já sabemos que não é só receber suas bênçãos, temos que nos envolver em seu amor incondicional e, no dia-a-dia, temos várias vezes que optar entre Ele e o que o mundo nos propõe.
   Nossa decisões e atitudes anunciam a proposta de Jesus ou demonstram medo em segui-lo?
   A sociedade tem sempre sugestões atraentes para nos fazer desistir de acompanhar a proposta do Evangelho, na defesa da vida, no seguimento dos valores éticos, na promoção de uma cultura de paz.
   Não, não queremos ir embora, não queremos abandonar Jesus, queremos segui-lo e viver sua proposta. Essa é, com certeza, a resposta de todos nós.
   

domingo, 16 de agosto de 2015

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

"O meu Espírito se alegra em Deus, meu Salvador." (Lc 1, 47)

• Leituras: Apocalipse 11, 19a; 12, 1. 3-6a. 10ab
Salmo 44 (45)
1Coríntios 15, 20-27a
Lucas 1, 39-56

Recordando a Palavra: 

 
   A Liturgia da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos traz o Evangelho de Lucas, em que Maria, grávida do Salvador do mundo, vai até a casa da prima Isabel. É o encontro maravilhoso destas duas mulheres pobres mais especialmente escolhidas pelo Senhor, cada uma com sua vocação específica.
   Vemos a percepção de Isabel que, sensível ao Espírito Santo, sente a presença do Senhor em Maria. É então que ouvimos o mais sublime cântico de ação de graças o "Magnificat", pelo qual Maria glorifica o Senhor por todas as maravilhas que Ele lhe fez. 
   Maria, por obra de Deus, é elevada ao céu; glorificada, alcança a vida eterna.
   A leitura do Apocalipse nos apresenta a mulher, Maria Santíssima. Ela está adornada de todo seu esplendor: veste-se de sol, sinal da glória do Senhor; tem aos pés a luz, símbolos de alguém que não será vencido pelo passar do tempo; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando que é a rainha do povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, e depois o novo Israel, a Igreja, Corpo de Cristo. Está grávida, na hora de dar à luz, como a Igreja, que faze Jesus nascer na história e na vida das pessoas. 
   O salmo celebra a festa de casamento de um rei e uma princesa; mas para nós é a celebração da aliança que Deus faz com o seu povo. 
   A segunda leitura dos fala do combate entre as forças do Reino e o mal. O sinal da vitória do Reino representa a derrota da morte na ressurreição de Jesus. A morte é o último inimigo a ser derrotado. Tendo certeza de que a morte não significa um ponto final e a ressurreição é a palavra decisiva sobre nossas vidas, todo o resto ganha nova luz e nossos medos são dissolvidos pela confiança no poder maior do Pai. 
   
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   Para alcançar a vida eterna,precisamos viver, hoje, o exemplo de Maria, sua disponibilidade de acolher, indo ao encontro do outro; sua humildade, sua vida em contante ação de graças, glorificando a Deus por suas obras em nós. 
   Maria foi a primeira missionária, carregando o próprio Jesus em seu ventre, ela foi em missão ao encontro de Isabel para ajudá-la oferecer-lhe seu apoio, sua atenção, sua escuta, seu serviço.
   Com humildade, Maria reconhece a grandiosa obra de Deus em sua vida: "Porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor". 
   Experimentemos viver a ação de graças constante ao nosso Deus, louvando-o e glorificando-o por tudo que temos e somos, embora, muitas vezes, em meio às tribulações que enfrentamos.
   Louvemos pela fé que nos sustenta e dá coragem na caminhada, por aqueles que nos transmitiram esta fé, por nossos famílias e comunidades, especialmente pelos religiosos e religiosas.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O livro do Êxodo

   O termo êxodo quer dizer "saída". O segundo livro do Pentateuco traz este nome porque começa com o processo de libertação dos hebreus que eram escravizados na terra do Egito, fato ocorrido por volta do ano 1.250 antes de Jesus Cristo. 
   Quem não conhece a mensagem deste livro nunca irá entender o sentido de todos as sagradas escrituras, porque está fundamentada no livro do Êxodo a noção e a ideia que se tinha de Deus, seja no antigo ou no novo testamento. 

Qual é a mensagem central do livro do Êxodo?

      É a revelação do nome do Deus verdadeiro: Javé, que, na realidade do Êxodo, está ligado ao ato libertador de Deus para com o povo hebreu. Javé é um Deus único, que ouve o grito de seu povo escravizado, oprimido, e o conduz à liberdade para selar uma aliança, dando ao povo uma lei que transforma as relações entre as pessoas. É disso que nasce uma comunidade em que são garantidas a vida, liberdade e a dignidade. A aliança é selada de duas maneiras: como princípios de vida (os dez mandamentos), que têm a missão de orientar o povo para uma vivência social, e as leis (código da aliança), com a finalidade de conduzir o povo a uma vivência dos mandamentos nas várias realidades da vida social.

Por que é um Deus libertador?

   Porque, por meio de sua ação e mandamentos, oferece a liberdade para todos os tipos de escravizadão, para que o ser humano se coloque a serviço desta libertação em todos os âmbitos da vida. Por causa da libertação integral que aparece no decálogo e no código da aliança, em beneficio do ser humano, é que podemos perceber quem é o Deus único e verdadeiro, aquele que promove a vida do ser humano: este é Javé, digno de adoração. Qualquer noção de Deus, fora do âmbito da realidade da libertação humana, é um ídolo, e de ver rejeitado. 

Qual será o verdadeiro Deus?

   A esta pergunta, o livro do Êxodo nos aponta para toda bíblia, sobretudo na opção de vida de Jesus, sua encarnação, opção pelos pobres e sua atividade manifestando o reino de Deus. Por esta razão, o livro do Êxodo é de vital significado para o nosso entendimento a respeito de Jesus de Nazaré como Filho de Deus, e para nossa compreensão de que vem a ser o reino de Deus.

Esquema do Livro

   Ex 1, 1-22: o povo de Israel no Egito; 2, 1-22: nascimento e chamado de Moisés; 2, 23-25: Deus lembra-se da aliança com os ancestrais de Israel; 3, 1-6: a sarça que arde; 3, 7-10: é o coração do Êxodo; 3, 11-7, 7: chamado e resposta vocacional de Moisés; 7, 8-13, 16: temos a Páscoa, passagem de Deus que identifica e liberta seu povo; 13, 17-16, 21: saída do Egito, o Êxodo propriamente dito; 15, 22-18, 27: o povo hebreu no deserto; 19, 1-20, 21: a aliança e os dez mandamentos; 20, 22-23, 33: o código da aliança; 24, 1-18: conclusão da aliança; 25, 1-31, 18: prescrições que se referem à construção do santuário e seus ministros; 32, 1-35, 35: bezerro de ouro ou infidelidade do povo; renovação da aliança; 36, 1-40, 23: construção do santuário. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

A paciência e a rebeldia de Jó diante do sofrimento

Abrindo as portas do livro de Jó

     A história narrada do livro de Jó era muito conhecida no antigo Oriente e na Palestina, bem antes de o livro ser escrito. O personagem central do livro é estrangeiro, certamente de Hus, ao sul de Edom (cf. Jó 1,1). As pessoas daquele tempo tinham também suas inquietações a respeito da dor e do sofrimento. No tempo de Jó se aprendia que o sofrimento vinha de Deus. A teologia da retribuição foi pregada no pós-exílio da Babilônia, representada pelos teocratas que afirmavam ser o templo a moradia de Deus único e oficial. Tal Deus não escutava o clamor nem o grito dos pobres (cf. Jó 24, 12). Ele só atendia a quem cumprisse toda a lei ditada a quem cumprisse toda a Lei ditada pela religião oficial. O culto no templo era única forma de um impuro tornar-se purificado diante de Deus e voltar a participar da vida social. Essa religião excluía os estrangeiros, os doentes, os aleijados, as mulheres, os empobrecidos as pessoas bem-sucedidas eram justam e abençoadas por Deus, e aquelas que tinham algum sofrimento ou doença eram pecadoras e amaldiçoadas por ele. É nesse contexto que vai surgir a literatura sapiencial do Primeiro Testamento, revelando um novo rosto de Deus.

Abrindo a primeira porta do livro de Jó

   A primeira porta do livro de Jó é uma narrativa em prosa composta dos capítulos iniciais e dos versículos finais: 1-2 e 42, 10-17. Jó, pessoa temente a Deus, possui muitas riquezas e filhos. Satã desafia Deus, dizendo que é muito fácil para Jó ser fiel, pois ele tem tudo de que necessita, mas bastaria tocar nele para ver o que aconteceria! Deus permite a Satã provar Jó. Por essa aposta, Jó perde todos os seus bens e os seus filhos. Mesmo assim, permanece firme, é abençoado em dobro.
  Essa história reforça a teologia da retribuição, que tem por princípio a fidelidade a Deus é recompensada com riqueza e vida longa (cf. Dt 30, 15-20)
   Essa narrativa em prosa (1-2 e 42, 10-17) mostra os três amigos de Jó que ficam sabendo de desgraça e vão ao seu encontro para consolá-lo. De acordo com a tradição judaica, os amigos cumpriram seu dever. Eles permanecem ao lado de Jó, em silêncio, por sete dias e sete noites, pois o sofrimento é muito grande. Eles tentam compreender a situação à luz de sua fé, sem considerar a experiência de Jó. Os amigos estão comprometidos com a teoria e não com a vida. 
     Nos capítulos 1 e 2, Jó é paciente. Reforça a teologia da retribuição. Para o pessoal do templo, as pessoas que eram pobres, doentes e sem filhos eram pecadores e amaldiçoadas por Deus, e aquelas que tinham saúde, riqueza e filhos eram puras e abençoadas por Deus. É aí que entra todo o questionamento do livro de Jó. Ele é um justo que não pecou e está sofrendo.
      Em Jó 42, 7-9, os amigos são recriminados por Deus, que exalta a atitude de Jó. Em 42, 10-17, Jó paciente é recompensado em dobro. Também está na lógica da teologia da retribuição: "Sofre com paciência que Deus o recompensará".

Abrindo a segunda porta do livro de Jó

     A segunda porta é uma narrativa poética (3, 1 e 42,6) e começa com um lamento de Jó.
     Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento. Era preferível não ter nascido, pois assim não passaria por tanto sofrimento. Para ele a morte iguala a todos (cf. Jó 3, 19). O seu grito nasce da vida dura, da dor, da falta de tranquilidade, além do tormento (cf. 3, 26).
     Aqui conhecemos um Jó rebelde. O texto vem de outro lugar social, reflete outra situação de vida. Provavelmente revela o drama das famílias que perderam suas terras e agora são meeiras arrendatárias, gente endividada que paga sua dívida com trabalho escravo. Conversando sobre os afazeres do cotidiano e sobre a vida, ouvindo e convivendo uns com os outros, compartilhando suas dores, angústias e temores, outra imagem de Deus ia ficando clara para eles. Podiam experimentar a presença de Deus na solidariedade, na partilha e no apoio mútuo. 
    Dessa vivência é que vinha a sua força. Era essa prática que os levava a encontrar com o Deus da vida, um Deus bem diferente daquele que aparece nos capítulos 1-2 e 42, 7-12. Vai surgir aí uma nova teologia, a partir do cotidiano. Deus está no meio de nós, escuta o nosso clamor e desce para nos libertar (cf. Ex 3, 7). Em 42, 5 vai aparecer uma confissão de fé feita por Jó: "Eu te conhecia só de ouvir. Agora, porém, meus olhos te veem". 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Conhecendo o Profeta Oseias

 "Porque eu quero a misericórdia e não os sacrifícios"  Oseias 6, 6

     Oseias é conhecido como o profeta do amor e da ternura. Não temos muita informação sobre a sua Origem. Sabemos que seu pai se chamava Beeri, "meu poço", e o nome de Oseias significa "Javé ajudou" (cf. Os 1, 1)
     Oseias recebeu a palavra do Senhor durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias em Judá e de Jeroboão II em Israel (783- 743 a.C.). Sua profecia tem início no final do reinado de Jeroboão e vai até um pouco antes da invasão da Samaria, em 722 a.C.
     
Contextos históricos 
      
     No tempo de Jeroboão II, Israel faz aliança de paz com o Reino do Sul, Judá, e juntos eles controlavam as rotas comerciais. Foi um tempo de grandes prosperidades para as elites do norte (cf. 2Rs 14, 25-27; Am 6, 1-7). Com a morte de Jeroboão II e o crescimento da Assíria no âmbito internacional, a situação do Reino do Norte muda completamente. Uns apoiam a Assíria e outros não. Começa a guerra civil.
   Em duas décadas, seis reis que ocupavam o trono de Israel foram assassinados. A situação é de insegurança e de instabilidade. A corrupção está instalada na corte e nos partidos políticos (cf. Os 6,8-10; 7, 1-7). Há constantes conflitos com a Assíria.
    O rei Faceis de Israel fez aliança com o rei de Damasco, capital da Síria, com o objetivo de barrar o avanço da Assíria e parar de pagar os impostos da primeira etapa de vassalagem. Pede ao rei de Judá que faça o mesmo, mas este não aceita. Judá faz aliança com a Assíria e se torna um reino vassalo (cf. Os 5,8-12)
    Com as revoltas internas e a guerra siro-efraimita (734- 732 a.C.). a monarquia de Israel chega ao fim (722 a.C.). A Assíria domina várias cidades de Israel e leva seus habitantes deportados (cf. 2Rs 15, 29). Com isso, muita gente imigrou para Judá levando a tradição profética do norte.
    Os discípulos de Oseias provavelmente estão entre esses migrantes. 
    A profecia de Oseias critica as autoridades de sua época.
    Ele é contra a monarquia e sua política interna e externa, contra as elites, o sacerdócio oficial e o exército. Ele denuncia a opressão política, econômica e religiosa. 
    Aquilo que está acontecendo nas duas esferas contrais da vida pública, a política e o culto, é para Oseias sinônimo de "afastar-se de Javé", que ele compara com a prostituição e o Adultério.

Redação
   
    Como muitos livros da Bíblia, o livro de Oseias também não foi escrito de uma só vez. Ele passou por releituras em diferentes períodos da história:

1ª. Tempo da profecia (759 a 724 a.C.);
2ª. Primeira redação, logo após a queda da Samaria, em 722 a.C.;
3ª. Segunda redação, no tempo de Josias pelos deuteronomistas, por volta de 620 a.C.;
4ª. A redação exílica, entre os anos 597 e 539 a.C.

• Alguns estudiosos afirmam que os discípulos de Oseias colecionaram os discursos, colocaram uma ordem, modificaram alguns oráculos e, sendo fiéis ao estilo de Oseias, fizeram a primeira redação. A história de que Javé manda Oseias casar com uma mulher de prostituição pode ser uma criação dos primeiros escritores.

• A segunda redação do livro foi no tempo de Ezequias, no Reino de Judá. Ezequias fez várias reformas, criou uma centralização econômica e religiosa (cf. 2Rs 18).

• Para justificar a sua reforma como a do Templo, como único lugar oficial do culto, e a de Javé como Deus único, os escribas da corte retomam as leis vindas do Reino do Norte e fazem uma nova redação, dando origem ao núcleo antigo do Deuteronômio. Alguns textos de Oseias precisam ser lidos a partir da perspetiva da escola deuteronomista, por exemplo: os protestos contra as romarias feitas aos santuários do norte, Betel e Guigal (4, 15; 6,10; 9,15); a forte rejeição ao bezerro de ouro (8,5-6; 10, 5-6); as denúncias contra as práticas religiosas (4, 17-19; 9, 4). Há oráculos que insistem na eliminação de outras divindades, o que fortalece o culto a Javé como Deus único (13, 4) e a obediência à Lei (8, 1. 12).
   Esses aspectos são provavelmente do tempo de Josias (cf. 2Rs 23), considerado da terceira redação.

• A quarta redação: no exílio, em meio à falta de perspectiva e à escravidão, os oráculos de Oseias são retomados para reavivar a esperança do povo. E possivelmente a teologia do Deus único é reforçada pelos teocratas no pós-exílio. E assim temos na Bíblia um livro estruturado em sua redação final.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Livro dos Salmos

   O livro dos Salmos é composto por 150 salmos, isto é, 150 orações. O termo salmo pode significar oração cantada e com o acompanhamento de instrumentos musicais. Dessa maneira, na oração e no canto do povo de Deus, podemos perceber como a história, as manifestações proféticas, sapienciais e a lei penetram no viver do povo e se transformaram em expressão de oração vive, marcada por todos os tipos de experiências e situações pessoais e comunitárias. Os Salmos nos levam a entender como a experiência de Fé penetra na vida e é um exemplo de como todos as situações da vida podem se tornar oração.
   Os Salmos são textos poéticos, a maneira mais apropriada como uma pessoa ou uma comunidade possa expressar seus sentimentos perante as realidades muitas vezes duras da vida, esta vida embevecida da promessa e do mistério de Deus, que é o principal amigo do ser humano; este Deus que é comprometido com a mulher e o homem na construção de sua história. A oração dos salmos nos indica como Deus participa da vida, da luta e da libertação do povo. Deste modo, os salmos são um convite para nós hoje, para que voltemos o nosso olhar e a nossa atenção para a nossa vida e para nossa história.
   Uma lição que os salmos podem nos dar, é a de uma grande descoberta: que Deus se faz sempre presente e pronto a nos ajudar na nossa caminhada no dia a dia, na construção de um mundo novo de paz e justiça, e que o contexto da fé nasce de um contexto mais abrangente da nossa história, e é a luz que ilumina a história.
   A base teológica de todos os salmos é o Deus do Êxodo (Ex 3, 7-8), o Deus que ouve o grito dos oprimidos, e se faz presente para libertá-los. É por causa desta base bíblica teológica que os salmos são expressões de oração que manifesta a experiência religiosa de fé, que os pobres tinham e têm em Deus, o amigo por excelência dos pobres. 
   Nós podemos perceber nas orações dos salmos como Deus nunca aprovou nem aprova as situações dos que se encontram em estado de miséria, pobreza, mendicância e abandono. Por isso, os salmos mostram como os povos oprimidos faziam, em forma de oração, sua reivindicações, suas denúncias, suas resistências aos poderosos, e até questionamentos ao próprio Deus. Os salmos são o grito do coração do pobre sedento de amor e justiça.
   A oração dos salmos foram, em primeiro lugar, experiência vital de um povo, que estava engajado, comprometido com a comunidade nas suas lutas, nos seus louvores e conflitos, sem dar brecha para injustiças, miséria ou alienação. 
   Os salmos foram, em primeiro lugar, experiência vital de um povo, e esta experiência foi rezada nas mais variadas formas possíveis: louvores, clamores, preces, e depois cantada, e os escritos foram usados de forma repetida. 
   Estas orações que chamamos de salmos não esgotam com a experiência a pessoa ou da comunidade que as criou, nem se limita à experiência de um único povo. Os salmos vão além, são uma forma de oração aberta que pode exprimir situações de outros povos e indivíduos, já que as estruturas históricas das situações parecem se repetir.
   Os escritos dos salmos são dos mais mencionados pelos autores do movo testamento. Nas palavras de Jesus podem encontrar várias citações com referência à oração dos Salmos. 


Veja: Podemos rezar os salmos de maldição?
http://www.youtube.com/watch?v=BZr5veskvCk

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Maria na Catequese

   A catequese sobre Maria poderá abranger grandes temas, como:

• Maria mãe de Deus

   A grandeza de Maria aparece, em primeiro lugar, no fato de ser mãe de Deus.
   A força do Espírito Santo envolver Maria com a sua sombra e a escolheu para ser mãe do primogênito de toda a humanidade, Jesus Cristo, o Filho de Deus. "O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1, 13)
   A partir do Concílio de Éfeso (ano 431), a Igreja proclamou a maternidade divina de Maria. Os padres conciliares proclamaram que Cristo é uma só pessoa com duas naturezas: a divina e a humana. Portanto, Maria, sendo mãe de Jesus (como homem), é verdadeiramente a mãe de Deus. Surgiu, então, no coração do povo, a devoção a Maria como mãe de Deus. 
    A constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, do Vaticano II dedica o capítulo VIII a Maria: "A bem-aventurada virgem Maria, mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja". Grande é a dignidade de Maria porque ela é mãe, seguidora de Jesus, testemunha e discípula de seu próprio Filho. A vida de Jesus passa pela experiência de Maria desde a concepção, infância e vida oculta até a sua vida pública, sua morte e ressurreição.
   Maria é mãe de Jesus e também é nossa mãe. Pelo fato de ter acompanhado Jesus até o calvário, acompanha hoje todos os seus filhos, que foram entregues a ela por Jesus quando disse a João: "Eis a tua mãe".
   Hoje, é importante invocar Maria como mãe da Igreja. Ela reconstrói o reino de Deus e nos ajuda a encarnar o evangelho no nosso tempo. 

• Maria discípula e missionária

   Só olhando a pessoa de Jesus é que se entende o discipulado cristão. O discípulo procura viver a vida do mestre. Por isso, o evangelista João afirma: "O que vimos, ouvimos e apalpamos é o que vos anunciamos" (1Jo 1, 1-3). Trata-se de um "saber" que se faz "ser" e "agir". O que o discípulo vê, ouve e experimenta modela a sua vida e manifesta num agir novo. Maria é a primeira discípula de Jesus porque identificou a sua vida com a vida dele. Viveu intensamente na escola do "mestre" Jesus. 
   Maria comunica a todos nós uma experiência feminina de discípula missionária com base numa realidade intensamente vivida. Sua figura de mulher livre e forte perpassa os evangelhos como verdadeiro segmento de Cristo. Ela, como primeira cristã, viveu essa experiência como mãe e como discípula, na compreensão profunda do projeto do Pai realizado por Jesus. 
   Olhando para Maria, reconhecemos nela a imagem perfeita da discípula missionária. Maria não apareceu nos grandes acontecimentos da sua época. Ela se se envolveu com gestos simples, ordinários, que constituíam a existência da grande massa das mulheres do seu tempo e também do nosso. Hoje, como Maria, há muitas mulheres seguidoras de Jesus que não aparecem nos jornais, nas revistas, do rádio e na televisão, mas fazem a história e constroem a vida da sociedade e da Igreja, tecida de dores e alegrias. 

• Maria Catequista

   Todo ato catequético é cristocêntrico; isto é, a mensagem central e fundamental da catequese é a pessoa de Jesus Cristo, e a catequese quer favorecer o encontro pessoal com ele, na comunidade de fé. 
   Maria, mediante o seu consentimento na fé, permite a realização pela do projeto do Pai: a entrega de seu Filho à humanidade para salvá-la e redimi-la.
   Nos evangelhos das comunidades de Licas e de João, Maria, a mãe de Jesus, é modelo de fé a ser proposto na catequese: diante da profecia de Simeão (cf. Lc 2, 34-35); ouvindo a resposta de Jesus no templo (cf. Luz 2, 50); confrontando-se em Caná com a aparente frieza de Jesus (cf. Jo 2, 4); compreendendo que são mais felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cf. Lc 11, 28); recebendo no alto da cruz o ministério maternal na Igreja, confiado por Jesus (cf. Jo 19, 26).
   Nos Atos dos Apóstolos, Lucas narra a presença de Maria na comunidade reunida em oração à espera do Espírito Santo. No dinamismo orante da comunidade encontra-se a pessoa de Maria, mulher catequista e discípula, atenta ás necessidades da Igreja nascente. Ela, a primeira discípula de Jesus, torna-se mãe da Igreja pela mesma atitude de Fé aberta ao Espírito.
   O povo cristão encontrou e encontra, através dos tempos, a presença evangelizadora da catequista de Nazaré. 


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Livro de Judite

   Escrito por volta de 198-1966 a.C., o livro contém 16 capítulos.
   O 1° capítulo retrata a época de Nabucodonosor, rei da Assíria; o 2°, aponta o general Holofernes e seu exército; o 3°, mostra que este exército acampa em Betúlia; no 4°, os israelitas não baixam a guarda para os opressores; no 5°, o amonita Aquior explica para Holofernes, que os israelitas não podem ser derrotados, caso não tenham cometido pecado ou infidelidade contra o seu Deus; no 6°, Aquior deve morrer junto com todo o povo de Israel; no 7° Holofernes e seu exército fecham o cerco contra Betúlia; no 8°, aparece a jovem viúva Judite; no 9°, a oração de Judite; no 10° e no 11° Judite entra no acampamento de Holofernes e o agrada com uma promessa: a vitória; mo 12° e no 13°, o general convida a viúva para visitar sua tenta e lhe prepara uma ceia. No banquete, Holofernes se embriaga, Judite lhe corta a cabeça e a leva para Betúlia; no 14° e no 15°, Aquior se converte à religião judaica; os israelitas atacam e derrotam os assírios, que ficam sem chefe; o 16°, narra o cântico de Judite e seu falecimento. aos 105 anos de idade.

Conteúdo e mensagem

   A forma literária deste livro é chamada de novela ou conto. O pano de fundo irreal da história narrada faz supor que provavelmente o autor não pretendia registrar fatos históricos. Vejam que Nabucodonosor, rei da Babilônia (605- 652 a.C.), neste conto é rei da Assíria e reside em Nínive; entretanto, o império assírio e a cidade de Nínive haviam sido destruídos em 612 a.C.
   O nome do general Holofernes não é babilônico, mas persa. A cidade é Betúlia é desconhecida pelos relatos históricos, não pode ser identificada com nenhuma cidade palestina; protanto, trata-se de uma criação literária.
   O nome de Judite só aparece em outro escrito como a mulher heteia de Esaú (cf. Gn 26, 34), sendo um nome muito improvável para uma mulher judia. Esse nome deve ter sido escolhido em virtude de seu significado "judia". Sobre as guerras que aparecem no livro, os relatos históricos não trazem nenhuma evidência de que tenha acontecido tudo isso na Palestina. 
   Portanto, o livro de Judite, tanto no seu pano de fundo como seu jeito que é enredado, apresenta todas as características de um romance histórico inventado. 
   Muitas vezes, o modo de agir de Judite pode ser criticado severamente porque ela assassina e, ainda mais, por meio de uma sedução. Porém, mesmo que ela ainda não tenha, de fato, seduzido Holofernes, quem narra para nós deixa claro que isso foi devido à misericórdia de Deus (cf. 13,16). Judite estava pronta e disposta a fazer tudo para libertar seu povo oprimido, e assim o fez. 
   O livro quer nos dizer que Deus salva o seu povo através da ação dos seres humanos. A fidelidade à lei. Esse é o núcleo do discurso de Aquior (cf. 5, 5-21), das palavras de Judite (cf. 8, 17-20) e de seu exemplo como mulher e viúva que vive segundo a lei (cf. 8;6; 10,5; 12,2. 19).
    Assim, o Deus de Judite é o Deus dos humildes, o socorro dos oprimidos, o protetor dos fracos, o abrigado dos abandonados, o salvador dos desesperados (cf. 9,11). E Judite é um exemplo desse povo e desta Fé.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Profeta Ezequiel

• Quem foi Ezequiel e seu contexto histórico:

   Ezequiel, cujo nome significa "Deus Fortalece", é identificado como filho de Buzi, sacerdote (cf. Ez 1,3). Membro de Uma Família sacerdotal, casado, sua esposa faleceu quando Nabucodonosor deu início ao cerco final a Jerusalém (cf. Ez 24, 16-24). Nasceu por volta do ano 622 a.C., foi deportado para a Babilônia em 597 a.C. Profetizou de 593 a.C a, pelo menos 570 a.C. e morreu por volta de 560 a.C. 

   Seu ministério profético mostra ênfase sacerdotal, por sua preocupação com o templo, o sacerdócio e os sacrifícios, e coincidiu brevemente com o de Jeremias. A residência de Ezequiel ficava na cidade de Tel Abibe, a principal colônia de judeus exilados ao longo do rio Quebar, o "grande canal" de Nabucodonosor (cf. Ez 1, 1; 3, 15. 23). Ezequiel viveu seu ministério durante os mais terríveis dias da história de Judá: os 70 anos do cativeiro da Babilônia. Seu ativo ministério durou mais ou menos 22 anos (cf. Ez 1, 2; 29, 17)

• Vocação e Missão de Ezequiel:


   O relato da vocação de Ezequiel se situa em 593 a.C., o quinto ano do reinado de Joaquim. Sua vocação é descrita em Ez 2, 1-3, 11 e está articulada em oito fórmulas "Filho de Adão". Ele é enviado à casa de Israel, que vai se chamar "casa rebelde". A primeira atividade do profeta é se colocar como sentinela da casa de israel (cf. Ez 3, 16ss; 33, 1-2)

   O propósito principal de Ezequiel é lembrar à geração nascida durante o exílio babilônico a causa da destruição de israel, o julgamento das nações gentias e a chegada da restauração nacional de Israel. Ezequiel vai mostrar aos exilados a importância da responsabilidade pessoal pela desgraça da nação. Cada um é responsável pelo seu pecado individual (cf. Ez 18, 24). Foi o peso do pecado acumulado de cada indivíduo que contribuiu para o rompimento da aliança de Deus com Israel, e cada qual leva uma porção da culpa pela julgamento que resultou no exílio. 



 • Atividade profética de Ezequiel — passos
 Ezequiel, dirigindo sua mensagem aos exilados da Babilônia, quer levá-los a fazer uma revisão da sua caminhada. Ele quer ajudar o povo a perceber sua responsabilidade pessoal e coletiva frente à catástrofe que lhes ocorreu com o exílio e a acolher a nova aliança que Deus vai lhes propor, pelo seu Espírito. Isso exigirá do povo um caminho de conversão com os seguintes passos:
  → Primeiro passo: O Profeta que mostrar ao povo que não foi Deus quem o abandonou, mas foi o povo quem abandonou a Deus. A monarquia, a falsa religião, os abusos e as alianças políticas foram o caminho que pouco a pouco levou o povo à derrota final. A Inteção do profeta é levar o povo a refletir sobre os seus próprios erros (cf. Ez 16). 
 → Segundo passo: O Profeta ajuda os exilados, por meio do provérbio das uvas azedas no capítulo 18, a perceber que a escolha da monarquia foi feita pelos antepassados, mas o pecado é pessoal, porque as gerações seguintes mantiveram o sistema do reinado. O pecado pessoal e o pecado coletivo exigem a conversão pessoal e coletiva (cf. Ez 18)
→ Terceiro passo: Ezequiel vai mostrar ao povo que Deus mesmo vai renovar sua aliança, purificando, tirando o coração de pedra e dando um coração de carne, infundindo o seu Espírito. Não mais a aliança escrita em pedra, externa ás pessoas, mas uma aliança e uma lei escritas no coração das pessoas. Depois de, no capítulo 36, ter falado da nova aliança, no capítulo 37, apresenta a visão dos ossos ressequidos que retomam vida para alimentar a esperança, na certeza de que o povo convertido vai reviver pela ação do Espírito de Javé. 

• Organização do Livro:


   O Livro de Ezequiel é formado por 48 capítulos. Está facilmente dividido três seções: o julgamento de Judá (capítulos de 1 a 24), o julgamento das nações pagãs (capítulos de 25 a 32) e as futuras bençãos pela renovação da aliança de Deus com o povo (capítulos de 33 a 48)

   Dois temas teológicos perpassam o pensamento do profeta Ezequiel: a ênfase na responsabilidade pessoal (cf. Ez 18, 4) e a atuação da graça no renascimento da nação. O arrependimento entre exilados resultaria na recriação de Israel a partir dos ossos secos (cf. Ez, 11-14). Ezequiel enfatiza em sua obra a ação do Espírito que estimulará o povo a uma nova vida. Por esta ênfase, o profeta antecipa a doutrina da atuação do Espírito, no Novo testamento, de modo especial na comunidade de João.