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domingo, 23 de agosto de 2015

21° Domingo do Tempo Comum

"Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69)

Leituras: Josué 24, 1-2a. 15-17. 18b;
Salmo 33(34)
Efésios 5, 21-32
João 6, 60-69

 Recordando a Palavra:


   Todos ouviram as palavras do Mestre, mas nem todos tiveram a coragem de segui-los. Alguns pensaram que eram muitas as exigências, que não valeria enfrentar tantos desafios e desistiram. O grupo que está com Pedro permanece firme, pois entender que assumir todas as exigências vale a pena, porque as palavras de Jesus não são meras promessas passageiras, são "palavras de vida eterna".
   Neste Evangelho, vemos os discípulos entendendo que a opção por Jesus requer uma adesão completa, radical, absoluta. Alguns dos discípulos desejaram estar com Jesus, participar das curas, dos milagres, sem participar do compromisso de sua proposta; no momento de assumir esta decisão eles desistiram do seguimento do Mestre.
   A primeira leitura põe o povo diante de uma escolha fundamental. Josué organiza a assembléia de Siquém. O povo deve aceitar sua nova identidade teológica, social e cultural. Josué interpela o povo sobre a qual Deus quer servir. E o povo se decide, renovam a aliança que já haviam feito pelo Êxodo e no Sinal.
   Esta decisão, demonstrando a certeza de que Deus nunca abandona o que lhe são fiéis, é proclamada no Salmo: "Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta".
   Pedro e os discípulos, que não abandonaram o Mestre, também fizeram esta escolha. Depois da ascensão de Jesus ao céu, levaram ao mundo a proposta de vida com os valores que Ele pregou.
   Na segunda leitura, Paulo exemplifica como viver a proposta de Jesus na família, no testemunho do casal cristão, no amor e no respeito mútuo. 
   Também estabelece uma mesma relação de compromisso no amor, entre Cristo e a Igreja, ou seja, Cristo amou sua Igreja até o extremo de entregar sua própria vida por todos. Assim, aqueles que decidem segui-lo, também devem ter dedicação, respeito e demonstrar, em suas atitudes, escolhas e ações, imenso amor por Ele. 

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   "Vós também quereis ir embora?" Qual é nossa decisão após ouvirmos a proposta de Jesus? Já sabemos que não é só receber suas bênçãos, temos que nos envolver em seu amor incondicional e, no dia-a-dia, temos várias vezes que optar entre Ele e o que o mundo nos propõe.
   Nossa decisões e atitudes anunciam a proposta de Jesus ou demonstram medo em segui-lo?
   A sociedade tem sempre sugestões atraentes para nos fazer desistir de acompanhar a proposta do Evangelho, na defesa da vida, no seguimento dos valores éticos, na promoção de uma cultura de paz.
   Não, não queremos ir embora, não queremos abandonar Jesus, queremos segui-lo e viver sua proposta. Essa é, com certeza, a resposta de todos nós.
   

domingo, 16 de agosto de 2015

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

"O meu Espírito se alegra em Deus, meu Salvador." (Lc 1, 47)

• Leituras: Apocalipse 11, 19a; 12, 1. 3-6a. 10ab
Salmo 44 (45)
1Coríntios 15, 20-27a
Lucas 1, 39-56

Recordando a Palavra: 

 
   A Liturgia da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos traz o Evangelho de Lucas, em que Maria, grávida do Salvador do mundo, vai até a casa da prima Isabel. É o encontro maravilhoso destas duas mulheres pobres mais especialmente escolhidas pelo Senhor, cada uma com sua vocação específica.
   Vemos a percepção de Isabel que, sensível ao Espírito Santo, sente a presença do Senhor em Maria. É então que ouvimos o mais sublime cântico de ação de graças o "Magnificat", pelo qual Maria glorifica o Senhor por todas as maravilhas que Ele lhe fez. 
   Maria, por obra de Deus, é elevada ao céu; glorificada, alcança a vida eterna.
   A leitura do Apocalipse nos apresenta a mulher, Maria Santíssima. Ela está adornada de todo seu esplendor: veste-se de sol, sinal da glória do Senhor; tem aos pés a luz, símbolos de alguém que não será vencido pelo passar do tempo; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando que é a rainha do povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, e depois o novo Israel, a Igreja, Corpo de Cristo. Está grávida, na hora de dar à luz, como a Igreja, que faze Jesus nascer na história e na vida das pessoas. 
   O salmo celebra a festa de casamento de um rei e uma princesa; mas para nós é a celebração da aliança que Deus faz com o seu povo. 
   A segunda leitura dos fala do combate entre as forças do Reino e o mal. O sinal da vitória do Reino representa a derrota da morte na ressurreição de Jesus. A morte é o último inimigo a ser derrotado. Tendo certeza de que a morte não significa um ponto final e a ressurreição é a palavra decisiva sobre nossas vidas, todo o resto ganha nova luz e nossos medos são dissolvidos pela confiança no poder maior do Pai. 
   
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   Para alcançar a vida eterna,precisamos viver, hoje, o exemplo de Maria, sua disponibilidade de acolher, indo ao encontro do outro; sua humildade, sua vida em contante ação de graças, glorificando a Deus por suas obras em nós. 
   Maria foi a primeira missionária, carregando o próprio Jesus em seu ventre, ela foi em missão ao encontro de Isabel para ajudá-la oferecer-lhe seu apoio, sua atenção, sua escuta, seu serviço.
   Com humildade, Maria reconhece a grandiosa obra de Deus em sua vida: "Porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor". 
   Experimentemos viver a ação de graças constante ao nosso Deus, louvando-o e glorificando-o por tudo que temos e somos, embora, muitas vezes, em meio às tribulações que enfrentamos.
   Louvemos pela fé que nos sustenta e dá coragem na caminhada, por aqueles que nos transmitiram esta fé, por nossos famílias e comunidades, especialmente pelos religiosos e religiosas.



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Oração da Coleta e Liturgia da Palavra

   A oração da coleta ou oração do dia é uma oração antiga, que tem sua origem os antigos sacramentários da tradição latina e oriental, o Sacramentário Gelasiano e o Sacramentário Gregoriano. Estes dois sacramentários estão na baso do nosso missal romano composto no século VII.
  O missal romano contempla três movimentos fundamentais na dinâmica do Sacrifício Eucarístico: o primeiro movimento são os ritos iniciais. O segundo se refere ao ofertório e o terceiro ao ritual de comunhão.
   A oração da coleta conclui os ritos iniciais, que são a acolhida da comunidade para o Santo Sacrifício, em suas duas partes fundamentais: Liturgia da palavra e Liturgia sacrifical (ou liturgia eucarística).
  A teologia da oração da coleta é a apresentação de toda comunidade a Deus para celebrar o mistério eucarístico. A comunidade vem à Igreja, cumprimenta o Senhor que a acolhe pede perdão de suas faltas, louva a Deus por suas maravilhas e se dispõe a celebrar. É o ápice dos ritos iniciais.
   Neste momento, o sacerdote acolhe a comunidade que faz seus pedidos silenciosamente e os apresenta a Deus, diante do altar eucarístico. Esta apresentação implica nos pedidos silenciosos, nos nomes dos fiéis defuntos e, quando houver memória santoral, os santos congregam-se à comunidade. 
  Algumas características são fundamentais. Podemos recordar que a assembléia está em pé, em sinal de abertura e disposição para celebrar.
 Quando o celebrante convida o povo para esta oração, todos fazem silêncio. É muito importante este silêncio, pois é o espaço pessoal para que o fiel se coloque diante de Deus, agradeça por sua vida e formule interiormente seus pedidos. 
  A oração coleta exprime a índole da celebração, ficando explícito se é uma missa solene, celebração santoral, solenidade dominical e, sobretudo, o tempo litúrgico.
  Os elementos oracionais mais evidentes são a invocação a Deus, os pedidos espirituais e o congregamento da comunidade para celebrar, com fé e fervor, o Sacrifício do Senhor. 
  Após o amém da oração coleta, a comunidade senta-se, mas deve esperar o celebrante dirigir-se à cadeira. A Liturgia da Palavra, que vem a seguir, tem um conteúdo de maior importância, pois é nesta hora que Deus nos fala solenemente. É o povo de Deus que está presente para ouvi-lo.

Palavra de Deus para os homens de boa vontade

   Deus, que está sempre presente pela criação, por sua ação na história e pelas inspirações sagradas, sempre se comunicou conosco, como nos ensina Paulo (cf. Cl 1, 15; 1Tm 1, 17), e o faz de formas variadas e misteriosas.
   A forma escolhida por Deus é a palavra como busca de intimidade e de integração divino-humana. A palavra de Deus cria comunhão. Para que Deus seja compreendido, Ele recorre à linguagem humana, pois sendo seu criador, conhece suas criaturas e pode, assim, enviar sua mensagem de fé. Ao invocar os seres humanos, Deus narra e interpreta nossa história, manifestando cada vez mais seu rosto e seu amor. 




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A celebração das exéquias

Celebração e compromisso

   O batismo introduz o cristão na participação do mistério pascal (vida, paixão, morte e ressurreição) de Cristo. Essa participação é revivida e aprofundada em cada celebração litúrgica, quer seja de um sacramento, quer seja um sacramental (celebração que se revestem da forma de sacramentos, mas não sacramentos). Ao celebrarmos os sacramentos, vamos tomando cada vez maior consciência do compromisso que temos com Deus e com a sua criação: somos seus filhos e, a exemplo de Jesus Cristo, devemos amar, ser justos e agir com misericórdia. Quando celebramos um sacramental, reafirmamos a vontade de viver à luz do amor pascal de Cristo, ou seja, reafirmamos a decisão de caminhar segundo o compromisso de fé que nossos pais e padrinhos assumiram por nós no batismo ou que nós mesmos assumimos em nosso crisma.
    No sacramental, o mistério pascal é reconhecido como a vida da pessoa e da humanidade inteira. Evidentemente, a morte faz parte da vida humana, da mesma forma que a morte de Cristo foi passagem necessária para a ressurreição. Esta etapa, pela qual todos passaremos, também é celebrada pela Igreja na forma de um sacramental: a celebração das exéquias.


   
A celebração da esperança cristã

   Os ritos de sepultamentos são comuns a toda cultura e religião, já que, se existe algo comum a todas elas, é justamente a realidade morte. No entanto, para os cristãos, a celebração encontra num sentido especial. De um lado, Cristo é apresentado como vencedor da morte e fonte da ressurreição. De outro, a passagem do cristão é associada à páscoa de Cristo, o que é proclamado nas leituras e nas orações. Por isso, as exéquias são também conhecidas como celebração da esperança da esperança cristã.
    Os símbolos utilizados nesta celebração nos remetem ao nosso batismo: cruz velas ou círio pascal, aspersão com água benta e incensação do corpo. Eles nos fazem lembrar que participamos da morte de Cristo para também participarmos da sua glória e ressurreição. Como o incenso, sobem aos céus as nossas preces pela pessoa que encerrou sua caminhada na terra.
   Os ministros ordinários as exéquias são os Bispos, Padres e Diáconos; porém, as exéquias não são liturgia propriamente de ministros ordenados. Em muitas comunidades são formados ministros extraordinários especialmente para essas celebrações, que podem ser feitas na casa do defunto, em uma Igreja ou capela ou no próprio cemitério. Em alguns lugares preserva-se o costume da "missa de corpo presente", o que tem o seu sentido na medida em que "a eucaristia é o coração da realidade pascal da morte cristã", onde a Igreja expressa a sua comunhão também com aquele que parte. No entanto, nas comunidades maiores, isso pode ser um problema, já que padres têm um grande número de pessoas para atender e devem dedicar-se igualmente aos outros sacramentais.
  Essas celebrações são também importantes momentos de reflexão sobre a antropologia cristã (ciência que estuda o ser humano à luz do cristianismo). O ser humano é uma pessoa, constituída de corpo e alma, dimensões que possuem o mesmo valor. Quando uma pessoa celebra, por exemplo, cordo e alma celebram. Quem morre é a pessoa como um todo: corpo e alma passam por esse processo, mas o corpo é depositado no túmulo ("do pó vieste, ao pó retornarás...") e a alma encontra repouso na luz eterna. A morte, nesse sentido, é como uma migração, uma libertação. Nunca, porém, podemos analisar a morte como o fim da existência humana, um castigo para o corpo do pecador... A morte é, sim, a conclusão de uma etapa, sem a qual a pessoa não atinge a plenitude da ressurreição, ou seja, da vida eterna. "O grão precisa cair na terra e morrer para produzir fruto...". 



Celebração, consolo da fé 

   Na situação da perda de uma pessoa querida, a liturgia não deve somente comunicar uma mensagem sobre a crença na ressurreição, mas também trazer uma palavra de conforto e de consolação para a família e os amigos do falecido. Podemos perceber isso da estrutura da celebração: o primeiro tempo é uma consolação da fé dirigida aos parentes do defunto; o segundo tempo é a liturgia da Palavra, que compreende uma, duas ou três leituras bíblicas, homilias e prece universal; um terceiro elemento é a recomendação e a última saudação. A liturgia da Palavra deve ser bem preparada, pois nas exéquias podem estar tanto pessoas que têm participação ativa na comunidade como pessoas que há muito tempo estão afastadas da comunidade de fé, tornando-se celebração uma oportunidade para evangelizar a todos.
  Além da fé na ressurreição, exprime-se nas exéquias e na oração pelo defuntos a fé na realidade da "comunhão dos santos", vivos e defuntos. A oração pelos vivos foi incluída no ano de 1969, quando houve a reforma necessária para atender às inovações do Concílio Vaticano II (1963- 1965). Até então, rezava-se apenas pelos mortos, e essa dimensão dos santos não era abordada. Rezar também pelos vivos é uma necessidade humana e pastoral e expressa uma realidade que já vivemos em toda eucaristia, quando todos se reúnem ao redor da mesa, no grande banquete de ação de graças para o qual Deus nos convida. 
   A respeito da celebração dos funerais, o Catecismo da Igreja Católica, n. 1960, afirma: "O adeus (a Deus) ao defunto é a sua encomendação a Deus' pela Igreja. Este é o 'último adeus pelo qual a comunidade cristã saúda um de seus membros, antes que o corpo dele seja levado à sepultura. A tradição bizantina o exprime pelo jeito de adeus ao falecido. Com esta saudação final ' canta-se por causa da sua separação, mas também porque há uma comunhão e uma reunião. Com efeito, ainda que mortos, não estamos separados uns dos outros, pois todos percorremos o mesmo caminho e nos reencontraremos no mesmo lugar. Jamais estaremos separados, pois vivemos por Cristo e agora estamos unidos a Cristo, indo em sua direção... estaremos todos reunidos em Cristo!"


domingo, 12 de janeiro de 2014

Festa do Batismo do Senhor

"O Senhor foi batizado, não por querer purificar-se, mas para purificar as águas" (Santo Ambrósio)
    Na festa do Batismo do Senhor, dizemos ao Pai: "Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo", pois hoje, "nas águas do rio Jordão, revelais o novo Batismo, com sinais admiráveis. Pela voz descida, ensinais que vosso Verbo habita entre os seres humanos. E pelo Espírito Santo, aparecendo em forma de pomba, fazeis saber que o vosso Servo, Jesus Cristo, foi ungido com o óleo da alegria e enviado para evangelizar os pobres" (prefácio). Por isso, bendito seja o que vem em nome do Senhor!

    A Festa do Batismo do Senhor, celebrada no Domingo depois da Epifania encerra o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor, o ciclo de Natal. O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. 
     O Evangelho de hoje enfatizou bem que quando Jesus recebeu o batismo se abrem para ele os céus” (Mt 3, 16). Dessa forma se cumpre a profecia de Isaías:"Se rasgásseis os céus, se descêsseis" (Is 63. 19). Sobre o cumprimento da profecia nos fala o Papa Francisco:"Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuridão, sem esperança." 
     O Batismo de Jesus nos remete a considerar nosso próprio batismo, seu significado, os compromissos dele advindos. 
      O Espírito Santo desce sobre Jesus que ouve a voz do Pai: "Tu é meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer". Com certeza, o Espírito também paira sobre nós e o amor paternal do Pai lança sobre nós seu imenso bem-querer. O acontecimento do Batismo de Jesus evidencia nosso Deus uno e Trino: o Pai que envia seu próprio Filho, no Espírito Santo, para que se cumpra o projeto divino de Salvação.
      Jesus, evidentemente, não precisava ser batizado. Ele assumiu nossa condição humana, tornou-se em tudo igual a nós, menos no pecado. Sendo assim, não precisava ser purificado pela água do batismo joanino. No entanto, quis ser batizado. Nessa atitude vemos duas dimensões. Na primeira, ele quis, desde o início, mostrar-se obediente ao Pai, para demonstrar que veio cumprir o plano de Salvação, o projeto de nossa libertação. Na segunda, expressou sua solidariedade conosco, homens e mulheres sujeitos ao pecado. Jesus não tinha pecado algum, mas revelou-se, desde sempre, solidário com os pecadores. 
      Em síntese, o Batismo de Jesus mostra-nos que Jesus é Filho de Deus ("Tu és o meu Filho amado"), que veio cumprir o projeto de libertação da humanidade pecadora, a qual estava perdida desde a desobediência ocorrida no paraíso. 

      Lembremos de nosso batismo, que nos insere na comunidade dos filhos de Deus, e de nossa Crisma, na qual fomos ungidos com o óleo sagrado, e procuremos viver como Jesus que, batizando e unido, "andou por toda parte fazendo o bem". Para isso não precisamos ir muito longe: nossa própria família nosso ambiente de trabalho ou estudo, nossos grupos sociais são para nós terra de missão. Acolhamos com alegria a mensagem desta festa. Que ela nos comprometa ainda mais como discípulos missionários do Filho amado do Pai. 


Os Sacramentais

Sacramentos e Sacramentais 

     Muitas vezes nos chamam a atenção alguns ritos especiais na liturgia: eles têm uma forma parecida com a dos sacramentos, mas são diferentes quanto ao conteúdo. Trata-se dos sacramentais. Um sacramental vive do mundo da liturgia e nele encontra o seu alimento, pondo-se necessariamente em relação com os sacramentos, particularmente com a eucaristia. Vale lembrar que os sacramentos são pontos, nós, em que se concentra a ação salvífica realizada em e por Jesus Cristo. No entanto não só nos sacramentos está a força vital da Igreja, mas também em uma série de outros rituais. Os sacramentos são essenciais, mas não esgotam todo o potencial da liturgia. Unidos a eles existem outras formas que expressam o modo de ser da Igreja e de cada comunidade, contribuindo dessa forma para o fortalecimento do povo de Deus que caminha. 
     Podemos diferenciar sacramentos e sacramentais lembrando que os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo, enquanto os sacramentais são propostos pela Igreja. Sacramentais são ações da Igreja que expressam a sua vontade de santificar a humanidade a caminho. Outro aspecto que diferencia os sacramentos dos sacramentais é a eficácia. Os sacramentos produzem por si os efeitos aos quais se propõem; já quando se trata dos sacramentais, os efeitos do mistério pascal são concedidos por Deus por força da oração de intercessão da Igreja, manifestada nos gestos litúrgicos. Em cada um dos sacramentais é sempre a Igreja quem se exprime e quem age, mas o efeito espiritual de tal ato é concedido pelo Pai.
     Os sacramentais (bênção de abade, consagração de virgem, profissão religiosa, celebração de exéquias, bençãos diversas...) preparam a riqueza celebrativa dos sacramentos e prolongam os seus efeitos, para que o mundo dê testemunho do amor de Deus. Os sacramentos dão prioridade a alguns momentos determinados da vida, enquanto os sacramentais penetram em todas as situações do cotidiano e nelas imprimem o dinamismo do mistério pascal. 
   Esses ritos especiais, a exemplo dos sacramentos, são voltados para a eucaristia e por vezes são realizados dentro de uma celebração eucarística, pois nela encontram a sua plenitude: a humanidade em ação de graças, construindo sua história na força do mistério de Cristo e dirigindo-se à glória do Pai. É justamente esta a meta de um sacramental: introduzir a pessoa de modo mais fácil e rápido no caminho que a leva à realização eterna. 

A celebração dos sacramentais

      Na celebração de um sacramental, há um encontro entre a Igreja e as pessoas que buscam a bênção, e naquele momento é demonstrado o valor que Jesus Cristo encontra na vida da comunidade. Diante dos acontecimentos da vida, a pessoa sente a necessidade de alcançar ou de renovar, pela leitura da Sagrada Escritura, o sentido cristão da história e das coisas. As celebrações da vida passam a ser celebrações da salvação, guiados pela proclamação da palavra de Deus, que é premissa para a celebração de um sacramento. O gesto, por si próprio, pode ter muitos significados, mas, quando feito na celebração de um sacramental, exige profunda visão de fé. Nesse processo, a bênção nada mais é do que o louvor e o pedido que brotam do coração da comunidade animada pela certeza de que Deus é bom e fiel. 

Tipologia dos sacramentais

     Como os sacramentais são muitos e variados, a exemplo das múltiplas relações entre o ser humano e o mundo criado por Deus, sempre houve grande dificuldade em defini-los e classificá-los. Na idade média, muitos eram contados entre os sacramentos. Hoje, para efeito de estudo, podemos agrupá-los da seguinte maneira:

1. Bênçãos - São orações de invocações sobre coisas e pessoas com a intenção de atrais sobre elas a proteção e os benefícios divinos. A Igreja, por meio da sua oração, introduz as pessoas e as suas realidades, na qualidade de criaturas elas já se encontrem sob a proteção de Deus. A bênção das coisas é dada segundo a perspectiva de que Deus quer o crescimento da pessoa e todo bem para ela, desde que esteja um verdadeiro bem, e tem como fundamento a própria ação de Deus na história. Exemplos: bênçãos de doentes, de crianças, de idosos, de casas, carros...

2. Consagrações - No ato da consagração, as  pessoas ou as coisas livremente se põem em total disponibiliza para exercer a vontade de Deus e dar um testemunho mais radical da ação dele na vida da humanidade e na história. Com sua oração, a Igreja confia essas pessoas ou coisas a Deus por meio de Cristo. Por força desse ato, as pessoas ou as coisas continuam a serviço do agir do ser humano, mas com o objetivo de cumprir o plano de Deus referente à humanidade. Nessa categoria podemos incluir a consagração ou dedicação de uma Igreja, de um altar, de um cálice, a bênção de um abade, a consagração de uma virgem, uma profissão religiosa ou monástica. 

3. Exorcismos - Esse terceiro tipo de sacramental é o que, hoje, cria maiores dificuldades, por causa da problemática sobre a presença do demônio na vida da humanidade. Nos exorcismos, a Igreja, a exemplo de Jesus, pede a proteção do Pai no combate contra satanás, que interpõe obstáculos ao desenvolvimento do ser humano e do plano universal de salvação. 
     É importante estarmos atentos à celebração de sacramentais que se realizam diariamente em nossas comunidades. Mesmo diante da dificuldade que temos em definir essas ações da Igreja, podemos identifica-las e vivencia-las com amor, buscando sempre alcançar os bens espirituais que elas visam nos conceder a partir da certeza do amor de um Deus que quer o melhor para seus filhos e sua criaturas. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Prefácio na Missa: Teologia e Temas

A celebração eucarística nos propicia um grande milagre: Jesus Cristo se torna presente mas espécies do pão e do vinho. Este Milagre é um grande mistério, pois, para ser compreendido, exige grande fé e humildade. 

   Desde os primeiros séculos, a Igreja tem consciência e professa esta grande verdade: a presença real do Senhor na comunhão sagrada.
   A liturgia eucarística se inicia propriamente com o ofertório, mas sua centralidade se inicia com o prefácio. Para tanto, o prefácio é considerado o ponto central e culminante da oração eucarística.
   O objetivo do prefácio é dar raças ao ai por tudo que Ele fez. Mais precisamente, nesta oração, a igreja dá graças ao Pai, Criador e Senhor de todas as coisas, em nome de Cristo e no Espírito Santo, por todas as suas obras. Os três grandes pontos da gratidão são a criação, a redenção e a santificação, que é a ação trinitária mais bem elaborada. A Trindade é louvada pela criação, obra de Deus Pai, pela redenção, ação operada pela encarnação do Verbo, e pela santificação, atualizada pela presença do Espírito Santo entre nós.

História da salvação em conta-gotas

   O prefácio da missa tem uma grande variedade, como podemos constatar. Além disso, os prefácios são bem definidos e têm suas celebrações específicas. De fato, se o objetivo do prefácio é narrar a história da Salvação, esta história é narrada em temas específicos. Como o prefácio quer sempre enaltecer a figura de Deus Pai, por sua criação e por nos ter enviado o Filho e o Espírito Santo, cada prefácio conta um pouco da ação divina em favor do seu povo. Em geral, o prefácio se inicia com a exaltação do ai, descrevendo alguns de seus atributos, como grande, misericordioso e santo. Deus é santo e fonte de toda a santidade. Segue-se que os prefácios ilustram a razão desta santidade e desta misericórdia. Por ter vindo em socorro da humanidade, por ter enviado os profetas e por ter nos socorrido. Mas a sua mais excelsa atitude é ter enviado seu próprio Filho.
   Aqui a tematização dos prefácios ganha contornos bem claros. Deus Pai é exaltado por ter comprido suas promessas, como vemos no advento, por ter enviado ser próprio Filho, como rezamos nos prefácios de natal. De modo semelhante, Deus é exaltado por nos ter ofertado seu próprio Filho como vítima na cruz (prefácios quaresmais) e por nos ter garantido a salvação como nos prefácios pascais. Todos os temas dos prefácios (santos, solenidades, marianos, etc.) ilustram a ação salvífica de Deus, que não desiste de seu povo, mas vem ao seu encontro. 


domingo, 5 de janeiro de 2014

O que é a Missa?

   A palavra "Missa" é o particípio do verbo latino "mitere", que significa mandar, enviar, despedir. Com o tempo, o particípio adquiriu o sentido de substantivo: missão, despedida, dispensa. É que nos primeiros séculos do Cristianismo, os catecúmenos (fiéis ainda não batizados), depois do sermão do Evangelho, eram convidados a se retirar, eram dispensados, despedidos. Só os cristãos batizados podiam participar da cerimônia até o fim. Mais tarde a palavra Missa se estendeu a toda a Liturgia Eucarística.
   Vamos até o Calvário. Está na hora de Jesus partir, a missão d'Ele chegou ao "fim", "tudo está consumado". Seu olhar se encontra com o olhar da Mãe, só os dois entendem o valor deste momento cruel. O coração de Jesus, vai parando, a cabeça, que pensara milhares de recursos para mudar o coração humano, se inclina. Os lábios que só tinham palavras de vida eterna, não se movem mais. Jesus entrega Seu espírito ao Pai e quer devolver Seu Corpo morto à Mãe, que espera ao pé da Cruz.
   Começam a arrancar os pregos que prenderam as Mãos que ofereceram o Pão da Vida, acalmaram as tempestades, livraram os homens de suas misérias. Estão roxas, o sangue não circula mais, o Coração foi aberto pela lâmina fria. Arrancaram também os cravos dos pés que procuraram a ovelha perdida, que deixaram marcas no pó da estrada da Palestina, ensinando o Caminho do céu.
   Trinta e três anos antes, o "céu" colocou um Menino cheio de vida nos braços de Maria; agora a terra O devolve morto. Os olhos de Maria fitam os de Jesus: estão fundos, vidrados, sem brilho, não reagem mais. O Corpo, quase não dá mais para reconhecê-Lo. Mas porque fizeram tudo isso com Jesus? Foi Ele próprio e o Pai que quiseram assim. Nenhum evangelista diz que Jesus morreu, e sim "Ele rendeu seu Seu espírito". "Não foi a morte que se aproximou d'Ele, foi Ele que foi ao encontro na morte", diz o pensador. Ele deu Sua Vida para servir, por que nos ama, e não foi obrigado ou condenado a isto, que não teria valor se isto não tivesse acontecido.
   Acabou a Obra de Jesus e começou a nossa. Ele precisa dos nossos pés, mãos, lábios, corações, enfim todo o nosso ser para continuar sua obra no mundo. "Tome a sua Cruz e siga-me", é palavra de ordem. "Completo em mim o que falta à Paixão do Senhor", nos ensina Paulo.
   A Missa traz, de novo, presente esta realidade: "Fazei isto em memória de Mim". Realiza-se sobre o altar tudo aquilo que Ele realizou. E nós aclamamos: "Recordamos ó Pai, neste momento a Paixão de Jesus, Nosso Senhor, e sua Ressurreição e Ascensão...".
   "A Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nossa Salvação e por nosso amor é exercida novamente, cada vez que se celebra o sacrifício da Missa", nos ensina a Igreja. "Todas as vezes que comerdes desde Pão e beberdes deste Cálice, anunciareis a Morte do Senhor até que Ele venha" (1Cor 11, 26).
   Uma coisa é fundamental na Missa:
1ª) O sacrifício, isto é, oferecer de novo a Deus Aquele que Se entregou no Calvário; 


"A Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo por nossa Salvação e por nosso amor é exercida novamente, cada vez que se celebra o Sacrifício da Missa

E ai, vai continuar a bater palmas na Missa, e fazer danças etc.? Lembre-se ↑ "Sacrifício da Missa"


Solenidade da Epifania do Senhor


      A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.
      A Solenidade da Epifania significa a grande Manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo como Rei de todo o Universo e a convocação de todas as Nações da terra para participarem do seu reinado. A festa da Epifania, portanto, é a Celebração do dia em que aqueles três magos do Oriente saíram e foram ao encontro do Senhor. Foram até Jerusalém, queriam saber quem era o Messias, ou melhor, quem era o Rei dos judeus que acabara de nascer.

      O que buscavam aqueles magos? O que buscavam aqueles três homens guiados por uma estrela? Eles buscavam o Rei! Eles buscavam uma luz, eles buscavam uma direção! O fato de eles serem magos nos dá a certeza de que eles eram investigadores, de que eles estudavam, e estudavam muito para conhecer os segredos da Terra, do mar e de todas as coisas. Alguns hoje continuam estes estudos por intermédio da astrologia; e também de outras coisas que não levam a nada, pois algumas pessoas acreditam em horóscopo, algumas pessoas querem saber a sua sorte com a ajuda do zodíaco. Tudo erro, tudo fantasia!




A temática predominante é a realeza, a soberania de Jesus, diante de quem todos os povos, representados pelos Magos do Oriente, se prostram em adoração. Na Epifania de Cristo celebramos a sua revelação como Rei, e ao analisarmos a cena de Belém vemos que Jesus nasceu e se manifestou a todos os povos e nações, sem distinção de classe social ou raça, vejamos:

• Observemos os Pastores (Lc 2): Na sociedade da época os pastores eram desprezados, porque não tinham possibilidade de cumprir todas as exigências da lei, e eram pobres e marginalizados pela sociedade.

• Observemos os Reis Magos (Mt 2): Homens ricos, com condições, um tanto, boas. E trazem presentes que na época eram caríssimos: Ouro, Incenso e Mirra (cf. Mt 2,11)

• Observemos a cor dos reis Magos: De acordo com a tradição, os magos são representados de cor Negra, Branca e Amarela, simbolizando todos os povos, raças e culturas que vem ao encontro de Jesus.

Observando esses três aspectos, dizemos que Jesus nasceu e manifestou sua realeza para todos...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Etapas de Uma Homilia

   A forma de elaborar e proferir uma homilia é muito subjetiva, pois depende muito do homilista, bem como da assembléia. Chamamos homilistas o presidente da celebração, que profere aos fiéis a pregação depois das leituras bíblicas. Mais presente nas celebrações eucarísticas, podemos denominar homilia toda pregação realizada para aprofundar e atualizar a palavra de Deus.
   Mesmo considerando que são muitos os estilos literários e comunicativos da homilia e que são inúmeras as possibilidades, apresentamos um esquema, bem flexível, de uma homilia dentro de uma ceia eucarística.


Primeiro momento

   Primeiramente temos a introdução do tema, que pode ser feita em alguns segundos, colocando o ouvinte no contexto da pregação. Este momento apresenta uma visão geral da mensagem, com um olhar sobre toda a temática e as leituras em geral. Serve para ambientar e preparar os fiéis para compreender melhor e as próximas partes.

Segundo momento

   Em seguida, a partir do fio condutor, o aprofundamento dos textos bíblicos. Não há necessidade de desenvolver todas as mensagens presentes nas leituras, mas é importante encontrar a forma para que os ouvintes possam acompanhar e guardar seu conteúdo. O ideal é começar pela primeira leitura, mostrando uma visão ampla do tema, passando pelo evangelho de Jesus Cristo, para concluir com a segunda leitura, normalmente uma compreensão mais teológica da narrativa do evangelho.

Terceiro momento

   A fundação teológica é necessária porque ela dá um sentido mais profundo para a interpretação bíblica. Para tanto, se fazem necessários os conhecimentos da tradição cristã, as interpretações do magistério e a compreensão teológica. A necessidade da fundação teológica tem um caráter mais doutrinal e com isso permite ao pregador aprofundar a mensagem bíblica nas questões religiosas e existenciais do ser humano. 

Quarto momento

    Em seguida, temos a atualização hermenêutica, como se a pregação fosse inserida na realidade e no contexto presente. Os temas, portanto, devem ser inseridos no momento presente e as metáforas serem atualizadas, procurando estar os personagens e os fatos bíblicos na composição histórica contemporânea. 

Quinto momento

    Finalmente, o pregador precisa estar atento às suas mensagens, como se estivesse convidando a assembléia para uma espécie de renovação e com mais alegria de viver em sua realidade cotidiana.
     Esta forma, sem ser cartesiana, pode ser dividida conforme for a intenção do pregador, mas deve ficar bem claro que a homilia é sempre uma pesquisa da palavra de Deus, compreendendo a tradição secular da Igreja, para instigar uma vivência sempre atual e coerente dos ensinamentos bíblicos cristãos. 


Música na Liturgia- Reflexo da Páscoa do Senhor

   O canto, como expressão humana, é a junção original de música e texto, ritmo e sentido,emoção e razão, melodia e palavra. No canto cristão, graças à palavra, a música pode nomear a própria Palavra de Deus; pela música, a voz humana tenta dizer o inefável. 
   Segundo Gregório de Nisa, do século IV, o característico do canto cristão é que  sua melodia se une às palavras divinas com toda a simplicidade, tratando unicamente de sublinhar e de algum modo revelar o sentido delas. 
   O canto é um caminho pedagógico utilizado por Deus no qual a beleza da melodia e a força da palavra se unem para ensinar e curar a pessoa doente e decaída. O canto é símbolo da unidade cósmica do Reino de Deus; homens, mulheres e criação, irmanados, entoam um canto de louvor ao Criador.

"A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte (...)" (SC 112)

Canto e Mistério Pascal de Jesus Cristo e de sua Igreja


   O canto litúrgico deve expressar o mistério pascal. A vitória do Cordeiro sobre a morte leva os cristãos a entoar, sem cessar, louvores e ação de graças ao Primogênito dos mortos (cf. Cl 1, 12-20). O canto é expressão da vitória daquele que morreu e ressuscitou: Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus, a nova e eterna aliança, é o mais perfeito cântico de louvor entoado pelos cristãos ao Pai. É sempre a páscoa de Cristo acontecendo em nossas vidas em qualquer ação litúrgica, e o canto, a música, devem ajudar a tornar realidade a dimensão pascal de nossas celebrações. Por isso, é fundamental que a música seja boa, que tenha conteúdo teológico e espiritual e esteja enraizada no chão da vida em que se dá o mistério pascal de Cristo. 

Cantar no Espírito

   O canto é uma linguagem do Espírito. "Falai uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração, sempre e por tudo dando graças a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo" (Ef. 5, 19s). Para o apóstolo Paulo, só podemos dizer "Abbá" do fundo da alma e elevar os sentimentos até Deus. O canto reveste-se de caráter orante quando cantado no Espírito. Portanto, que o canto não seja apenas uma atividade espiritual, e que o mistério que celebramos ajude a transformar nossas vidas. 

Função Ministerial do canto Litúrgico

Na Liturgia, o canto é tanto mais litúrgico quanto mais se integra na ação litúrgica e na parte da celebração em que é executado (cf. SC 112). As pessoas que assumem o serviço da música não são meras "ajudantes", mas exercem verdadeiro ministério (cf. SC 29). Ministério que encerra uma espiritualidade: participação na páscoa de Cristo, no destino de Jesus. Quando a Igreja canta, Cristo faz-se presente na união das vozes e dos corações (cf. SC 7). 




terça-feira, 15 de outubro de 2013

Uma Tradição Ininterrupta

Quando lemos, no missal romano, a sua grande introdução que falada eucaristia, encoraja uma importante anotação: a ceia eucarística segue, desde o principio, até os nossos dias, uma tradição que jamais se interrompeu. Quando Jesus, na última ceia sagrada, nos presenteou com um ritual, ainda simples e original, estava inaugurando uma longa inauguração uma longa tradição que permeia a história do cristianismo, fazendo que seja um rito fontal, que alimenta e sacia a sede de nossa fé ao longo de tantos séculos.
      Todas as vezes que estamos participando da ceia eucarística estamos buscando, no rito da história do cristianismo, a força que mantém viva a nossa tradição, para que todos sejam unificados no mesmo Senhor, por meio de seu corpo e seu sangue. A Eucaristia une, por assim dizer, os povos de todos os tempos e de todos os lugares, na mesma Fé e na mesma tradição.

Ceia derradeira: Evento fundante da Eucaristia 

     Quando participamos da ceia, não precisamos de grande atenção para reconhecer que estamos revivendo os passos derradeiros de Jesus e o ritual do Pessah - a Páscoa antiga - que Ele viveu com seus discípulos às vésperas de sua paixão final. Para intensificar sua convivialidade com seus seguidores, Jesus quis celebrar a ceia. convidou-os para participar da sua mesa. Sabiam da gravidade daquele momento, mas o acolheram com simplicidade e com silenciosa alegria. A missa refaz este ritual, inclusive mantendo os gestos, os símbolos e as palavras do Mestre. O ritual se enriqueceu grandemente e se enriquece em cada comunidade celebrante que apresenta sua riqueza e seus dons. Os rituais de nossas ceias eucarísticas consideravam, em suas variações, o núcleo da última ceia. A ceia de Jesus é a prefiguração de nosso ritual. Bem mais complexo em nossos tempos, pois assimilou riquezas culturais dos povos. Foi formando-se a Tradição do ritual da missa, que se completa cada vez, por ceia não é um fato histórico, as um acontecimento vivo e eterno, que a gente revive e renova em nossas vidas. Ele acontece como se Jesus estivesse conosco, ceando em nossa mesa, que é sua mesa, onde somos convidados especiais. Este é o evento fundante, o núcleo e o coração da missa. A atitude de Jesus, que reúne seus seguidores, que toma o pão e o vinho, que diz palavras misteriosas, é a fonte original deste rito de nossa tradição. Precisamos conhecer este rito para reconhecermos sua riquezas, seus mistérios escondidos, sua beleza e sua importância em nossa vida. Este é o evento fundante da nossa ceia na missa diária ou dominical. É nossa páscoa perpétua.

"... Eucaristia: Síntese de toda a história da Salvação..." (Santo Ireneu de Lião)



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Cântico de Ingresso


     A Liturgia da missa, na tradição romana se inicia com o cântico de ingresso. Os estudiosos procuraram entender o significado desde cântico, bem como sua origem histórica. Temos insistido que o ritual da ceia é uma construção histórica, onde as comunidades cristãs, partindo dos relados e das memórias dos apóstolos, foram organizando um ritual que fosse eficiente para reviver o grande mistério da eucaristia.
     A primeira notícia que temos de um cântico de ingresso está registrada no Liber Pontificalis. Este volume litúrgico é um modelo antigo de ritual para a Igreja de Roma, promulgado pelo Papa Celestino I, no século V, para a celebração da missa nas várias comunidades.
     O cântico de ingresso de inspira nas sagradas escrituras, que recordam que Davi cantava salmos antes de celebrar o sacrifício. Também a comunidade cristã eleva salmos a Deus antes de recitar os evangelhos e celebrar o sacrifício do Senhor. Cantar salmos é um título genérico para todas as louvações a Deus.
     Este cântico está colocado no início da celebração, como forma preparatória da comunidade para congregar o povo fiel, e elevar seu espírito para viver mais profundamente os mistérios pascais.
     Como se trata de uma elaboração histórica, nem sempre houve este modelo ritual. Em algumas comunidade, iniciavam-se os rituais com as leituras e somente depois se elevavam salmos e se faziam as reflexões penitenciais. No entanto, o ritual romano sempre contemplou este modelo, desde suas origens mais antigas.
     Conforme o Ordo Romanus I (Ritual Romano), que é o ritual oficial de quase toda Igreja Cristã do Ocidente, unida a Roma, este cântico tem antes de tudo uma preocupação espiritual e pastoral. Com este Canto, os fiéis se concentraram na celebração, ao mesmo tempo que a assembléia (ministrantes e povo) é composta. Podemos arriscar dizendo que é semelhante à composição de uma corte ou de um tribunal, como seus ministérios, lugares específicos e funções bem determinadas.
     Enquanto o presidente da celebração e seus ministros se dirige ao altar, os fiéis cantam salmos, antífonas ou poemas que sintetizam o mistério que a comunidade está por celebrar.
     Com o Concílio Vaticano II, este canto de entrada acabou deixando de sustentar a entrada dos ministros, que saíam diretamente da sacristia. Nos últimos anos, estamos recuperando esta riqueza ritual e os ministros fazem cortejo da porta até o altar, como o Papa realizava em Roma desde os primórdios. A riqueza dos cantos se acompanhava com turíbulo e incensações.