sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Das Cartas de São João Bosco, presbítero

Sempre trabalhei com amor 

Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.
Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.
Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta indignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor. Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.
Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros escândalo, mas em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que aprendêssemos dele a ser mansos e humildes de coração.
Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.
Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.
Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece.

(Epistolario, Torino 1959, 4,201-203)             (Séc.XIX)

São João Bosco, Presbítero

   Nasceu perto de Turim, na Itália, em 1815. Muito cedo conheceu o que significava a palavra sofrimento, pois perdeu o pai tendo apenas 2 anos. Sofreu incompreensões por causa de um irmão muito violento que teve. Dom Bosco quis ser sacerdote, mas sua mãe o alertava: “Se você quer ser padre para ser rico, eu não vou visitá-lo, porque nasci na pobreza e quero morrer nela”.
   Logo, Dom Bosco foi crescendo diante do testemunho de sua mãe Margarida, uma mulher de oração e discernimento. Ele teve que sair muito cedo de casa, mas aquele seu desejo de ser padre o acompanhou. Com 26 anos de idade, ele recebeu a graça da ordenação sacerdotal. Um homem carismático, Dom Bosco sofreu. Desde cedo, ele foi visitado por sonhos proféticos que só vieram a se realizar ao longo dos anos. Um homem sensível, de caridade com os jovens, se fez tudo para todos. Dom Bosco foi ao encontro da necessidade e da realidade daqueles jovens que não tinham onde viver, necessitavam de uma nova evangelização, de acolhimento. Um sacerdote corajoso, mas muito incompreendido. Foi chamado de louco por muitos devido à sua ousadia e à sua docilidade ao Divino Espírito Santo.
   Dom Bosco, criador dos oratórios. Catequeses e orientações profissionais foram surgindo para os jovens. Enfim, Dom Bosco era um homem voltado para o céu e, por isso, enraizado com o sofrimento humano, especialmente, dos jovens. Grande devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora, foi um homem de trabalho e oração. Exemplo para os jovens, foi pai e mestre, como encontramos citado na liturgia de hoje. São João Bosco foi modelo, mas também soube observar tantos outros exemplos. Fundou a Congregação dos Salesianos dedicada à proteção de São Francisco de Sales, que foi o santo da mansidão. Isso que Dom Bosco foi também para aqueles jovens e para muitos, inclusive aqueles que não o compreendiam.
   Para a Igreja e para todos nós, é um grande intercessor, porque viveu a intimidade com Nosso Senhor. Homem orante, de um trabalho santificado, em tudo viveu a inspiração de Deus. Deixou uma grande família, um grande exemplo de como viver na graça, fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo.
   Em 31 de janeiro de 1888, tendo se desgastado por amor a Deus e pela salvação das almas, ele partiu. Mas está conosco no seu testemunho e na sua intercessão.

São João Bosco, rogai por nós!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero

Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude

Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.
Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.
Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tema fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.
Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele.
Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).
É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2).
Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.
Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).
Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede.
Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).

(Colatio 6 super Credo in Deum)              (Séc.XIII)



Santo Tomás de Aquino; Prespítero e Doutor da Igreja

   Neste dia lembramos uma das maiores figuras da teologia católica: Santo Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: “Quem é Deus?”.
   A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.   
   Diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro dominicano. No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno, ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.
   Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.
   Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.

Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo

Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou

O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras: Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13). Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito.
Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14). Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus.
Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que encontrar-se no meio de homens famosos pela consideração e pela honra, mas privados do amor de Cristo.
Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício.
Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.
Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos.
Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

(Hom. 2 de laudibus sancti Pauli: PG 50,447-480)             (Séc.IV)

creditos: http://www.liturgiadashoras.org/

O Apóstolo de Jesus Crucificado

   São Paulo é o Apóstolo da Cruz. Só quis conhecer e pregar Jesus Cristo crucificado. Por isso foi o vaso de eleição para levar o nome de Jesus aos gentios. "E eu lhe farei ver, disse o Senhor a Ananias, como é preciso sofrer pelo meu nome" (Atos 9, 15-16). O grande Apóstolo se gloriava nas suas dores, nas suas fraquezas, para ter a força Divina. E não temia nem os ultrajes, nem as injúrias, perseguições, desprezos, açoites, por amor de Jesus Cristo, com quem vivia tão estreitamente unido até à identificação, essa sublime identificação de que ele se faz arauto. "Vivo, escreveu ele, mas já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20). Eis o segredo de todos os prodígios do seu apostolado, da conversão de tantos gentios e de sua pregação eficaz e maravilhosa. São Paulo foi saciado de amarguras desde que conheceu Jesus Cristo e resolver pregar a loucura da Cruz. Ele nos ensina a pagar o mal com o bem, a ser pequeno, humilde, a padecer afrontas e desprezar as frivolidades do século. Pregar Jesus crucificado. Ó doce e preciosa doutrina! Que riqueza! As epístolas de São Paulo consolam o coração aflito! Quando Saulo caiu na estrada de Damasco, perguntou a Deus: "Senhor, que queres que eu faça?" E foi fiel à graça, à vontade de Deus! Na estrada de nossa vida, quando nos fulminar algum desses raios de dor, voltemo-nos para o céu e consultemos a vontade Divina: "Meu Deus, que queres que eu faça?" E aceitemos o que vier do Céu!

(O Breviário da Confiança, 25 de janeiro) 


Conversão de São Paulo

     O apóstolo dos gentios e das nações nasceu em Tarso. Da tribo de Benjamim, era judeu de nação. Tarso era mais do que uma colônia de Roma, era um município. Logo, ele recebeu também o título de cidadão romano. O seu pai pertencia à seita dos fariseus. Foi neste ambiente, em meio a tantos títulos e adversidades, que ele foi crescendo e buscando a Palavra de Deus.
      Combatente dos vícios, foi um homem fiel a Deus. Paulo de Tarso foi estudar na escola de Gamaliel, em Jerusalém, para aprofundar-se no conhecimento da lei, buscando colocá-la em prática. Nessa época, conheceu o Cristianismo, que era tido como um seita na época. Tornou-se, então, um grande inimigo dessa religião e dos seguidores desta. Tanto que a Palavra de Deus testemunha que, na morte de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja, ele fez questão de segurar as capas daqueles que o [Santo Estevão] apedrejam, como uma atitude de aprovação. Autorizado, buscava identificar cristãos, prendê-los, enfim, acabar com o Cristianismo. O intrigante é que ele pensava estar agradando a Deus. Ele fazia seu trabalho por zelo, mas de maneira violenta, sem discernimento. Era um fariseu que buscava a verdade, mas fechado à Verdade Encarnada. Mas Nosso Senhor veio para salvar todos.
  Encontramos, no capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos, o testemunho: “Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’. Saulo então diz: ‘Quem és, Senhor?’. Respondeu Ele: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão’. Trêmulo e atônito, disse Saulo: ‘Senhor, que queres que eu faça?’ respondeu-lhe o Senhor: ‘Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer’”.
        O interessante é que o batismo de Saulo é apresentado por Ananias, um cristão comum, mas dócil ao Espírito Santo.
        Hoje estamos comemorando o testemunho de conversão de São Paulo. Sua primeira pregação foi feita em Damasco. Muitos não acreditaram em sua mudança, mas ele perseverou e se abriu à vontade de Deus, por isso se tornou um grande apóstolo da Igreja, modelo de todos os cristãos.

São Paulo de Tarso, rogai por nós!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Da Introdução à Vida Devota, de São Francisco de Sales, Bispo (Pars 1, cap. 3)

A devoção deve ser praticada de modos diferentes

 Na criação, Deus Criador mandou às plantas que cada uma produzisse fruto conforme sua espécie. Do mesmo modo, ele ordenou aos cristãos, plantas vivas de sua Igreja, que produzissem frutos de devoção, cada qual de acordo com sua categoria, estado e vocação.
A devoção deve ser praticada de modos diferentes pelo nobre e pelo operário, pelo servo e pelo príncipe, pela viúva, pela solteira ou pela casada. E isto ainda não basta. A prática da devoção deve adaptar-se às forças, aos trabalhos e aos deveres particulares de cada um.
Dize-me, por favor, Filotéia, se seria conveniente que os bispos quisessem viver na solidão como os cartuxos; que os casados não se preocupassem em aumentar seus ganhos mais que os capuchinhos; que o operário passasse o dia todo na igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre disponível para todo tipo de encontros a serviço do próximo, como o bispo. Não seria ridícula, confusa e intolerável esta devoção?
Contudo, este erro absurdo acontece muitíssimas vezes. E no entanto, Filotéia, a devoção quando é verdadeira não prejudica a ninguém; pelo contrário, tudo aperfeiçoa e consuma. E quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é falsa, sem dúvida alguma.
A abelha extrai seu mel das flores sem lhes causar dano algum, deixando-as intactas e frescas como encontrou. Todavia, a verdadeira devoção age melhor ainda, porque não somente não prejudica a qualquer espécie de vocação ou tarefa, mas ainda as engrandece e embeleza.
Toda a variedade de pedras preciosas lançadas no mel, tornam-se mais brilhantes, cada qual conforme sua cor; assim também cada um se torna mais agradável e perfeito em sua vocação quando esta for conjugada com a devoção: o cuidado da família se torna tranquilo, o amor mútuo entre marido e mulher, mais sincero, o serviço que se presta ao príncipe, mais fiel, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações.
É um erro, senão até mesmo uma heresia, querer excluir a vida devota dos quartéis de soldados, das oficinas dos operários, dos palácios dos príncipes, do lar das pessoas casadas. Confesso, porém, caríssima Filotéia, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa de modo algum pode ser praticada em tais ocupações ou condições. Mas, para além destas três espécies de devoção, existem muitas outras, próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem no estado secular.
Portanto, onde quer que estejamos, devemos e podemos aspirar à vida perfeita.

creditos: http://www.liturgiadashoras.org/

São Francisco de Sales; Bispo e Doutor da Igreja

   Este santo nasceu no Castelo de Sales em 1567. Sua mãe, uma condessa, buscou formá-lo muito bem com os padres da Companhia de Jesus, onde, dentre muitas disciplinas, também aprendeu várias línguas. Muito cedo, fez um voto de viver a castidade e buscar sempre a vontade do Senhor. Ao longo da história desse santo muito amado, vamos percebendo o quanto ele buscou e o quanto encontrou o que Deus queria.
Anos mais tarde, São Francisco escreveu “Introdução à vida devota” e, vivendo do amor de Deus, escreveu também o “Tratado do amor de Deus”.
Certa ocasião, atacado pela tentação de desconfiar da misericórdia do Senhor, ele buscou a resposta dessa dúvida com o auxílio de Nossa Senhora e, assim, a desconfiança foi dissipada. Estudou Direito em Pádua, mas, contrariando familiares, quis ser padre. E foi um sacerdote que buscou a santidade não só para si, mas também para os outros.
No seu itinerário de pregações, de zelo apostólico e de evangelização, semeando a unidade e espalhando, com a ajuda da imprensa, a sã doutrina cristã, foi escolhido por Deus para o serviço do episcopado em Genebra. Primeiro, como coadjutor, depois, sendo o titular. Um apóstolo do amor e da misericórdia. Um homem que conseguiu expressar, com o seu amor e a sua vida, a mansidão do Senhor.
Diz-se que, depois de sua morte, descobriu-se que sua mesa de trabalho estava toda arranhada por baixo, porque, com seu temperamento forte, preferia arranhar a mesa a responder sem amor e sem mansidão para as pessoas.
Doutor da Igreja, é fundador da Ordem da Visitação, titular e patrono da família salesiana, fundada por Dom Bosco, que se inspirou nele ao adotar o nome [salesiano]. Também é patrono dos escritores e dos jornalistas devido ao estilo e ao conteúdo de seus escritos.
Esse grande santo da Igreja morreu com 56 anos, sendo que 21 deles foram vividos no episcopado como servo para todos e sinal de santidade.
Peçamos a intercessão desse grande santo para que, numa vida devota e vivendo do amor de Deus, possamos percorrer o nosso caminho em busca de Deus em todos os caminhos.
São Francisco de Sales, rogai por nós!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A celebração das exéquias

Celebração e compromisso

   O batismo introduz o cristão na participação do mistério pascal (vida, paixão, morte e ressurreição) de Cristo. Essa participação é revivida e aprofundada em cada celebração litúrgica, quer seja de um sacramento, quer seja um sacramental (celebração que se revestem da forma de sacramentos, mas não sacramentos). Ao celebrarmos os sacramentos, vamos tomando cada vez maior consciência do compromisso que temos com Deus e com a sua criação: somos seus filhos e, a exemplo de Jesus Cristo, devemos amar, ser justos e agir com misericórdia. Quando celebramos um sacramental, reafirmamos a vontade de viver à luz do amor pascal de Cristo, ou seja, reafirmamos a decisão de caminhar segundo o compromisso de fé que nossos pais e padrinhos assumiram por nós no batismo ou que nós mesmos assumimos em nosso crisma.
    No sacramental, o mistério pascal é reconhecido como a vida da pessoa e da humanidade inteira. Evidentemente, a morte faz parte da vida humana, da mesma forma que a morte de Cristo foi passagem necessária para a ressurreição. Esta etapa, pela qual todos passaremos, também é celebrada pela Igreja na forma de um sacramental: a celebração das exéquias.


   
A celebração da esperança cristã

   Os ritos de sepultamentos são comuns a toda cultura e religião, já que, se existe algo comum a todas elas, é justamente a realidade morte. No entanto, para os cristãos, a celebração encontra num sentido especial. De um lado, Cristo é apresentado como vencedor da morte e fonte da ressurreição. De outro, a passagem do cristão é associada à páscoa de Cristo, o que é proclamado nas leituras e nas orações. Por isso, as exéquias são também conhecidas como celebração da esperança da esperança cristã.
    Os símbolos utilizados nesta celebração nos remetem ao nosso batismo: cruz velas ou círio pascal, aspersão com água benta e incensação do corpo. Eles nos fazem lembrar que participamos da morte de Cristo para também participarmos da sua glória e ressurreição. Como o incenso, sobem aos céus as nossas preces pela pessoa que encerrou sua caminhada na terra.
   Os ministros ordinários as exéquias são os Bispos, Padres e Diáconos; porém, as exéquias não são liturgia propriamente de ministros ordenados. Em muitas comunidades são formados ministros extraordinários especialmente para essas celebrações, que podem ser feitas na casa do defunto, em uma Igreja ou capela ou no próprio cemitério. Em alguns lugares preserva-se o costume da "missa de corpo presente", o que tem o seu sentido na medida em que "a eucaristia é o coração da realidade pascal da morte cristã", onde a Igreja expressa a sua comunhão também com aquele que parte. No entanto, nas comunidades maiores, isso pode ser um problema, já que padres têm um grande número de pessoas para atender e devem dedicar-se igualmente aos outros sacramentais.
  Essas celebrações são também importantes momentos de reflexão sobre a antropologia cristã (ciência que estuda o ser humano à luz do cristianismo). O ser humano é uma pessoa, constituída de corpo e alma, dimensões que possuem o mesmo valor. Quando uma pessoa celebra, por exemplo, cordo e alma celebram. Quem morre é a pessoa como um todo: corpo e alma passam por esse processo, mas o corpo é depositado no túmulo ("do pó vieste, ao pó retornarás...") e a alma encontra repouso na luz eterna. A morte, nesse sentido, é como uma migração, uma libertação. Nunca, porém, podemos analisar a morte como o fim da existência humana, um castigo para o corpo do pecador... A morte é, sim, a conclusão de uma etapa, sem a qual a pessoa não atinge a plenitude da ressurreição, ou seja, da vida eterna. "O grão precisa cair na terra e morrer para produzir fruto...". 



Celebração, consolo da fé 

   Na situação da perda de uma pessoa querida, a liturgia não deve somente comunicar uma mensagem sobre a crença na ressurreição, mas também trazer uma palavra de conforto e de consolação para a família e os amigos do falecido. Podemos perceber isso da estrutura da celebração: o primeiro tempo é uma consolação da fé dirigida aos parentes do defunto; o segundo tempo é a liturgia da Palavra, que compreende uma, duas ou três leituras bíblicas, homilias e prece universal; um terceiro elemento é a recomendação e a última saudação. A liturgia da Palavra deve ser bem preparada, pois nas exéquias podem estar tanto pessoas que têm participação ativa na comunidade como pessoas que há muito tempo estão afastadas da comunidade de fé, tornando-se celebração uma oportunidade para evangelizar a todos.
  Além da fé na ressurreição, exprime-se nas exéquias e na oração pelo defuntos a fé na realidade da "comunhão dos santos", vivos e defuntos. A oração pelos vivos foi incluída no ano de 1969, quando houve a reforma necessária para atender às inovações do Concílio Vaticano II (1963- 1965). Até então, rezava-se apenas pelos mortos, e essa dimensão dos santos não era abordada. Rezar também pelos vivos é uma necessidade humana e pastoral e expressa uma realidade que já vivemos em toda eucaristia, quando todos se reúnem ao redor da mesa, no grande banquete de ação de graças para o qual Deus nos convida. 
   A respeito da celebração dos funerais, o Catecismo da Igreja Católica, n. 1960, afirma: "O adeus (a Deus) ao defunto é a sua encomendação a Deus' pela Igreja. Este é o 'último adeus pelo qual a comunidade cristã saúda um de seus membros, antes que o corpo dele seja levado à sepultura. A tradição bizantina o exprime pelo jeito de adeus ao falecido. Com esta saudação final ' canta-se por causa da sua separação, mas também porque há uma comunhão e uma reunião. Com efeito, ainda que mortos, não estamos separados uns dos outros, pois todos percorremos o mesmo caminho e nos reencontraremos no mesmo lugar. Jamais estaremos separados, pois vivemos por Cristo e agora estamos unidos a Cristo, indo em sua direção... estaremos todos reunidos em Cristo!"


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Pecados venial e mortal

Existe mesmo uma classificação dos pecados? ainda se fala em pecado mortal e venial?

     Só é correto falar de pecado a partir do Evangelho da misericórdia e de uma vida vivida como seguimento de Jesus. O projeto de vida plena para as pessoas humanas foi ensinado e vivido por Jesus. No seguimento de Jesus, nas vivências e atitudes concretas, provenientes de nossas livres decisões, é que vamos construindo nossa maior ou menor adesão a ele e ao próximo, ou nosso rompimento com ele e com o próximo.
   Existe algum critério para avaliar isto? A Bíblia fala-nos de mandamentos. Essas são indicações seguras para o nosso agir. Ela também fala de diferente gravidade que pode existir as ações que praticamos: há pecado que não conduz à morte (cf. 1Jo 5, 16-17). A partir da luz que vem da Palavra de Deus, nossa Igreja nos ensina que há pecados que rompem nossa comunhão com Deus, destroem a graça de Deus no coração da pessoa humana (pecados mortais).
     Todos somos efetivamente pecadores! "Se dissermos: não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós..." (1Jo 1, 8-9). Mesmo permanecendo no amor de Cristo, são Tiago diz: "Todos nós tropeçamos frequentemente" (Tg 3, 2). No Pai Nosso, Jesus nos ensinou a pedir "Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" (Mt 6, 12).
     Nossos pecados podem ser ações ou omissões que dizem a respeito a Deus, ao próximo, a nós mesmos ou à natureza, e devem brotar do "coração da pessoa" (da consciência), e com suficiente conhecimento e livre deliberação. É bom senso pensar que em qualquer desses campos existem aspectos mais graves e outros menos graves. Mais importante, porém, é estar convencido e empenhado na exigência radical da conversão proposta pelo Evangelho, que é o caminho para a santidade. Não penso que todos os pecados graves possam ser equiparados aos pecados mortais; tão pouco que os pecados veniais sejam considerados não-sérios. Gosto desta comparação: "pensar que os pecados veniais não possam ser sérios ou graves é tão irracional quanto considerar todas as doenças e enfermidades como não sendo sérias, pois só a morte é que seria graves" (Bernard Häring, teólogo). 
     Precisamos, sim, arrepender-nos dos pecados veniais e converter-nos, mesmo porque, do contrário, vamos contraindo hábitos e vícios que podem obscurecer valores, tornar-nos insensíveis ou diminuir nossa liberdade e capacidade de crescer na prática das virtudes e do bem.
     Tem ainda um aspecto que considero dos mais importantes. Pelo Batismo, nós não somos membros do corpo de Cristo? "Se um membro sofre, todos os membros compartilham o seu sofrimento, se um membro é honrado, todos os membros compartilham a sua alegria" (1Cor 12, 26). Todo pecado diminui a presença efetiva da salvação e aumenta as forças do mal. Lesa também a salvação de nossos irmãos e é uma ofensa a Cristo que morreu por todos.
       Ter um coração convertido é ser luz para o mundo!

Veja mais: Pe. Paulo Ricardo explica com mais afinco o que é um pecado mortal.

domingo, 19 de janeiro de 2014

A paciência e a rebeldia de Jó diante do sofrimento

Abrindo as portas do livro de Jó

     A história narrada do livro de Jó era muito conhecida no antigo Oriente e na Palestina, bem antes de o livro ser escrito. O personagem central do livro é estrangeiro, certamente de Hus, ao sul de Edom (cf. Jó 1,1). As pessoas daquele tempo tinham também suas inquietações a respeito da dor e do sofrimento. No tempo de Jó se aprendia que o sofrimento vinha de Deus. A teologia da retribuição foi pregada no pós-exílio da Babilônia, representada pelos teocratas que afirmavam ser o templo a moradia de Deus único e oficial. Tal Deus não escutava o clamor nem o grito dos pobres (cf. Jó 24, 12). Ele só atendia a quem cumprisse toda a lei ditada a quem cumprisse toda a Lei ditada pela religião oficial. O culto no templo era única forma de um impuro tornar-se purificado diante de Deus e voltar a participar da vida social. Essa religião excluía os estrangeiros, os doentes, os aleijados, as mulheres, os empobrecidos as pessoas bem-sucedidas eram justam e abençoadas por Deus, e aquelas que tinham algum sofrimento ou doença eram pecadoras e amaldiçoadas por ele. É nesse contexto que vai surgir a literatura sapiencial do Primeiro Testamento, revelando um novo rosto de Deus.

Abrindo a primeira porta do livro de Jó

   A primeira porta do livro de Jó é uma narrativa em prosa composta dos capítulos iniciais e dos versículos finais: 1-2 e 42, 10-17. Jó, pessoa temente a Deus, possui muitas riquezas e filhos. Satã desafia Deus, dizendo que é muito fácil para Jó ser fiel, pois ele tem tudo de que necessita, mas bastaria tocar nele para ver o que aconteceria! Deus permite a Satã provar Jó. Por essa aposta, Jó perde todos os seus bens e os seus filhos. Mesmo assim, permanece firme, é abençoado em dobro.
  Essa história reforça a teologia da retribuição, que tem por princípio a fidelidade a Deus é recompensada com riqueza e vida longa (cf. Dt 30, 15-20)
   Essa narrativa em prosa (1-2 e 42, 10-17) mostra os três amigos de Jó que ficam sabendo de desgraça e vão ao seu encontro para consolá-lo. De acordo com a tradição judaica, os amigos cumpriram seu dever. Eles permanecem ao lado de Jó, em silêncio, por sete dias e sete noites, pois o sofrimento é muito grande. Eles tentam compreender a situação à luz de sua fé, sem considerar a experiência de Jó. Os amigos estão comprometidos com a teoria e não com a vida. 
     Nos capítulos 1 e 2, Jó é paciente. Reforça a teologia da retribuição. Para o pessoal do templo, as pessoas que eram pobres, doentes e sem filhos eram pecadores e amaldiçoadas por Deus, e aquelas que tinham saúde, riqueza e filhos eram puras e abençoadas por Deus. É aí que entra todo o questionamento do livro de Jó. Ele é um justo que não pecou e está sofrendo.
      Em Jó 42, 7-9, os amigos são recriminados por Deus, que exalta a atitude de Jó. Em 42, 10-17, Jó paciente é recompensado em dobro. Também está na lógica da teologia da retribuição: "Sofre com paciência que Deus o recompensará".

Abrindo a segunda porta do livro de Jó

     A segunda porta é uma narrativa poética (3, 1 e 42,6) e começa com um lamento de Jó.
     Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento. Era preferível não ter nascido, pois assim não passaria por tanto sofrimento. Para ele a morte iguala a todos (cf. Jó 3, 19). O seu grito nasce da vida dura, da dor, da falta de tranquilidade, além do tormento (cf. 3, 26).
     Aqui conhecemos um Jó rebelde. O texto vem de outro lugar social, reflete outra situação de vida. Provavelmente revela o drama das famílias que perderam suas terras e agora são meeiras arrendatárias, gente endividada que paga sua dívida com trabalho escravo. Conversando sobre os afazeres do cotidiano e sobre a vida, ouvindo e convivendo uns com os outros, compartilhando suas dores, angústias e temores, outra imagem de Deus ia ficando clara para eles. Podiam experimentar a presença de Deus na solidariedade, na partilha e no apoio mútuo. 
    Dessa vivência é que vinha a sua força. Era essa prática que os levava a encontrar com o Deus da vida, um Deus bem diferente daquele que aparece nos capítulos 1-2 e 42, 7-12. Vai surgir aí uma nova teologia, a partir do cotidiano. Deus está no meio de nós, escuta o nosso clamor e desce para nos libertar (cf. Ex 3, 7). Em 42, 5 vai aparecer uma confissão de fé feita por Jó: "Eu te conhecia só de ouvir. Agora, porém, meus olhos te veem". 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Cardinalato — Novos Cardeais da Igreja

   Cardeal é o prelado da Igreja católica investido na dignidade de membro de um colégio especial, ao qual compete assegurar a eleição do Papa. Os Cardeais, também, assessoraram o Santo Padre, agindo colegialmente, quando são convocados para tratar juntos as questões de maior importância, ou individualmente nos diversos ofícios que exercem, prestando ajuda ao Romano Pontífice, principalmente no cuidado cotidiano da Igreja universal. O cardinalato não é sacramento da ordem, como o episcopado e o presbiterato, mas função consultiva ou administrativa nas congregações, tribunais e ofícios, que constituem a cúria romana, competindo-lhe com exclusividade a eleição do Papa.

Após o Angelus deste domingo, 12, Papa Francisco anunciou os nomes dos bispos/arcebispos que serão criados cardeais no próximo consistório, a ser realizado em 22 de fevereiro deste ano. Confiram:



1 – Dom Pietro Parolin, arcebispo titular de Acquapendente, Secretario de Estado
2 – Dom Lorenzo Baldisseri, arcebispo titular di Diocleziana, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos.
3 – Dom Gerhard Ludwig Műller, arcebispo-bispo emérito di Regensburg, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé
4 – Dom Beniamino Stella, arcebispo titular di Midila, Prefeito da Congregação para o Clero.
5 – Dom Vincent Nichols, arcebispo de Westminster (Grã Bretanha).
6 – Dom Leopoldo José Brenes Solórzano, arcebispo di Managua (Nicaragua).
7 – Dom Gérald Cyprien Lacroix, arcebispo di Québec (Canadá).
8 – Dom Jean-Pierre Kutwa, arcebispo de Abidjan (Costa d’Avorio).
9 – Dom Orani João Tempesta, O.Cist., arcebispo do Rio de Janeiro (Brasil).
10 – Dom Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perugia-Città della Pieve (Italia).
11 – Dom Mario Aurelio Poli, arcebispo di Buenos Aires (Argentina).
12 – Dom Andrew Yeom Soo jung, arcebispo de Seoul (Korea)
13 – Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., arcebispo di Santiago del Cile (Cile).
14 – Dom Philippe Nakellentuba Ouédraogo, arcebipso de Ouagadougou (Burkina Faso).
15 – Dom Orlando B. Quevedo, O.M.I., arcebispo de Cotabato (Filippine).
16 – Dom Chibly Langlois, bispo di Les Cayes (Haïti).



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A comunidade eclesial e a Catequese

A Igreja tem como missão evangelizar e, dessa missão, deriva o direito e o dever da catequese. 

      Todo fiel tem o direito de receber dos pastores a ajuda dos bens espirituais (cân. 2013). Por outro lado, a Igreja alerta o fiel para que adquira uma formação cristã adequada (cân. 748), busque a santidade (cân. 210), trabalhe para que "o anúncio divino da salvação chegue sempre mais a todos os homens..." (cân. 211). Entre vários meios para anunciar o Evangelho, a Igreja destaca a instrução catequética (cân. 761), pela qual se ensina a doutrina cristã de forma sistemática.
    Os fins fundamentais da catequese são o ensino da doutrina e a experiência de vida cristã viva, explícita e atuante (cân. 773). Assim entendida, segundo os documentos da Igreja, a catequese deve cultivar as seguintes dimensões: o conhecimento da fé, aprofundando o conhecimento da Escritura e da Tradição; a formação litúrgica; a formação moral; a iniciação no compromisso apostólico e missionários; a oração — a catequese deveria ser verdadeira escola de oração; a educação para a vida comunitária, incluindo-se também a dimensão ecumênica.
      A própria comunidade eclesial é a primeira catequista. É a Igreja como tal que catequiza, portanto essa deve ser uma ação solidária de todos os fiéis da comunidade. Todos participam dessa responsabilidade cada qual segundo seu modo próprio, seus dons e carismas, como testemunhas do anúncio do Evangelho com a palavra e o exemplo (cân. 756-759). Para uma catequese ser significativa é condição essencial o apoio e o testemunho da comunidade eclesial, pois o processo catequético supõe uma verdadeira experiência de Igreja. O cânone 774, parágrafo 1, lembra: "A solicitude pela catequese, sob a direção da legítima autoridade eclesiástica, é responsabilidade de todos os membros da Igreja, cada um segundo suas funções".
      A legislação canônica destaca e especifica a responsabilidade do bispo, do pároco, dos sacerdotes em geral, dos religiosos, de outros consagrados e dos pais de família. Esses como primeiros educadores da fé de seus filhos intervêm de forma decisiva no processo da catequese. Os pais católicos recebem pelo sacramento do Matrimônio a graça e a responsabilidade da educação cristã de seus filhos (câ. 774, §2).
       Por fim, a colaboração dos catequistas leigos também é importantíssima, por causa da dua inserção no mundo, enriquecimento a transmissão do Evangelho como uma especial sensibilidade para encarná-lo na vida concreta. Os catequizandos podem encontrar neles uma referência próxima de como viver a mensagem de Jesus Cristo no cotidiano da vida, dentro desse complexo mundo.
      Embora não se fale em missão canônica, o serviço catequético pode ser considerado como um autêntico ministério da Palavra. Poderia ser assumido como ministério não instituído oficialmente, mas, reconhecido de fato pela Igreja local (cân. 230 §2). Na Verdade, é uma ação pública da Igreja. O reconhecimento público, também com a cerimônia do envio, pode ser muito significativo: aponta para algumas exigências e alguns direitos. A relação do catequista com a comunidade eclesial não pode ficar escondida e, muito menos, excluída. O serviço eclesial do catequista exige o reconhecimento por parte da comunidade, que associa os catequistas ao serviço dos pastores. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os mandamentos da Igreja

Você conhece os mandamentos da Igreja? Sabe quantos e quais são eles? Ou pensa que, atualmente, eles não precisam mais ser observados?

      A Igreja é mãe e educadora, por isso ela tem a função de esclarecer o povo de Deus, pregando as verdades da fé e serem criadas e aplicadas na prática da vida. Assim, a finalidade dos cinco mandamentos da Igreja é garantir aos fiéis o mínimo indispensável do espírito de oração, da vida sacramental, do esforço moral e do crescimento do amor de Deus e do próximo (cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica p. 132).
       Os dez mandamentos têm o seu fundamento bíblico, e por isso, possuem perene validade. Também os cinco mandamentos da Igreja têm sua fundamentação bíblica e na moral cristã. Tudo o que favorece e ajuda o ser humano a bem viver sua vida cristã permanece válido. os cinco mandamentos da Igreja são uma luz mínima recomendada pela Igreja, para que o ser humano não se perca nas trevas do mundo.
        Vamos agora recordar, percebendo com carinho, o desejo da Igreja e dar orientações, para que cada cristão e cada cristã possam viver bem sua fé em Jesus Cristo e na sua Igreja, através dos cinco mandamentos:

1. Participar da missa inteira aos domingos e outras festas de guarda, ficando livre de trabalhos e de atividades que possam impedir a santificação desses dias. Esse mandamento é para não invertermos os valores, colocando as coisas acima de Deus e das pessoas.

2. Confessar-se ao menos uma vez por ano, confessando os próprios pecados e recebendo o sacramento da Reconciliação. Isso nos ajuda a trilhar o caminho da perfeição, na pureza e na santidade.

3. Comungar ao menos pela páscoa da Ressurreição garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã. Comungar é unir-se estreitamente a Jesus na Eucaristia e com ele viver a comunhão no amor, na caridade com os irmãos. 

4. Jejuar-se e abster-se de carne conforme manda a santa Mãe Igreja, determinada os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas e contribui para nos fazer adquirir o domínio sobre os instintos e a liberdade do coração. Essa liberdade do coração deve abrir-nos à solidariedade com o fraco, o pobre, o irmão carente. 

5. Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades (cf. Compêndio do CIC p. 132). Numa Igreja de cristãos conscientes, esse mandamento ajuda os fiéis a fazer a sua experiência de gratuidade, colaborando com grande generosidade com sua comunidade, a Igreja local. 
       Quando o cristão reconhece que tudo o que é e o que tem vem do Senhor, o dízimo e as ofertas serão generosas e a comunidade poderá realizar no agora a experiência da primeira comunidade cristã: "Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um" (At 2, 44).

       A experiência da vivência dos mandamentos da Igreja capacita os cristãos para atrair as pessoas á fé no verdadeiro Deus, a edificar a Igreja, a informar o mundo com o espírito do Evangelho e a apressar a vinda do Reino de Deus.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Catequese na História da Igreja - A mistagogia nas primeiras Comunidades

   A palavra "mistagógico" vem de mistério e, na vida da Igreja, nas atividades catequéticas, faz referência, principalmente, ao mistério pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus. O caminho catequético, o "ensinamento dos apóstolos", passou e continua passando pela celebração do mistério, visto que não o podemos compreender, mas celebrar e viver. vamos aprender com as primeiras comunidades esse caminhar mistagógico. 

Os sacramentos — caminho de vivência do mistério 

   Ensinar a celebração e viver o mistério cristão não foi tarefa fácil para as primeiras comunidades, porque estavam cercadas por outras religiões que também celebravam mistérios, mas com o sentido bem diferente dos cristãos. Por isso, foi preciso tomar muito cuidado para não confundir os homens e mulheres que se aproximaram das comunidades, mas ajudá-los no processo de iniciação à vida cristã. 
   Essa caminhada ficou conhecida como o rito de iniciação dos cristãos, acolhendo as pessoas que queriam participar da comunidade cristã e preparando-as para essa vivência por meio dos sacramentos iniciais: o batismo, a crisma e a eucaristia. 
  Os primeiros cristãos compreendiam que somente após a iniciação a pessoa estaria "preparada" para receber os ensinamentos sobre os mistérios. Em ritual antigo, ao receber os sacramentos, os novos cristãos ouviam: "Tomaste parte nos sacramentos e tens pleno conhecimento de tudo, uma vez que és batizado em nome da Trindade" (Os sacramentos, III, 12). Como lembra Paulo apóstolo: "Na realidade, é aos maduros na fé que falamos de uma sabedoria que não foi dada por este mundo (...) Ensinamos uma coisa misteriosa e escondida: a sabedoria de Deus" (1Cor 2. 6-7a).
   O batismo, como o mergulho na nova vida em Cristo, oferece essa "iluminação", capaz de levar a pessoa ao conhecimento ao conhecimento, isto é, à participação no mistério trinitário de salvação. Assim, a pessoa morre para a vida que levava e nasce para a nova vida em Cristo: podendo participar da vida e morte do Senhor, também participa de sua ressurreição. 

Mais do que celebrar, viver!

   A introdução aos mistérios da fé, a mistagogia, era uma etapa no processo de iniciação dos cristãos, que ocorria no tempo pascal. A pessoa já batizada, era conduzida à contemplação e experiência dos mistérios da fé na vida em comunidade, sobretudo na liturgia, auxiliada pelos evangelhos próprios desse tempo (cf. PAIVA, V., Catequese e liturgia, duas faces do mesmo mistério, Paulus, 2008, p. 35)
   Mas havia, entre os primeiros cristãos, a preocupação de que a vivência da fé não fosse confundida com a "mera" celebração dos ritos. Os ritos só têm sentido quando ajudam a celebrar a vida, unida à fé e iluminada por ela. Foi assim com Cristo: sua vida e atividade culminaram com a ressurreição. Portanto, o cristão também é chamado a viver o mistério, gerando ressurreição, para que homens e mulheres tenham vida plena. Esse é o sentido do amor cristão. João, o evangelista, em sua primeira carta, escreve: "Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a vida por nós; portanto, nós também devemos dar vida pelos irmãos (...). Filhinhos ], não amemos com palavras nem a língua, mas com obras e de verdade" (1Jo 3, 16. 18).
   É nesse sentido que Vanildo de Paiva salienta em seu livro já citado que "o anúncio da palavra não era transmitido como uma adesão intelectual, teórica, 'de cabeça', mas com o entusiasmo daqueles que experimentavam, na vida pessoal, a força do mistério pascal (...). A autenticidade do mistagogo estava não somente no que falava, mas no que experimentava e testemunhava na vida cotidiana" (p. 37).
   
Liturgia e catequese juntas

   A marca registrada da iniciação da fé dos cristãos nas primeiras comunidades é a união profunda entre catequese e liturgia. Como vimos anteriormente, essa iniciação se dava unindo a celebração dos sacramentos (dimensão litúrgica) com o "conhecimento" da fé (dimensão catequética). A mistagogia era esse "aprofundar" no conhecimento da fé, após a iniciação sacramental. 
   O anúncio da palavra suscita a fé e leva a pessoa ao encontro com Cristo. O mistério cristão, celebrado nos ritos sacramentais, atualiza o acontecimento Jesus Cristo, faz a "memória" do Senhor, morto e ressuscitado. O batismo é a primeira páscoa, transformando radicalmente a pessoa que o recebe; a crisma torna-a participação do dom do Espírito e a eucaristia é a celebração plena da Páscoa de Cristo pela Igreja. Como aforma a Rica (Ritual de Iniciação Cristã de Adultos), "como a iniciação cristã é a primeira participação sacramental na morte e ressurreição de Cristo (...) toda a iniciação deve ter caráter pascal" (n. 8).
   Há uma relação entre o anúncio do mistério com a celebração, entre a celebração da fé e a vivência cristã. A graça celebrada prossegue na vida e leva ao testemunho, ao anúncio aos outros. Dessa forma, as primeiras comunidades não separam as dimensões do anúncio, da celebração, do martírio, do serviço e da missão. Antes, entendem que elas compõem a vida cristã como um todo. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Festa do Batismo do Senhor

"O Senhor foi batizado, não por querer purificar-se, mas para purificar as águas" (Santo Ambrósio)
    Na festa do Batismo do Senhor, dizemos ao Pai: "Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo", pois hoje, "nas águas do rio Jordão, revelais o novo Batismo, com sinais admiráveis. Pela voz descida, ensinais que vosso Verbo habita entre os seres humanos. E pelo Espírito Santo, aparecendo em forma de pomba, fazeis saber que o vosso Servo, Jesus Cristo, foi ungido com o óleo da alegria e enviado para evangelizar os pobres" (prefácio). Por isso, bendito seja o que vem em nome do Senhor!

    A Festa do Batismo do Senhor, celebrada no Domingo depois da Epifania encerra o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor, o ciclo de Natal. O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. 
     O Evangelho de hoje enfatizou bem que quando Jesus recebeu o batismo se abrem para ele os céus” (Mt 3, 16). Dessa forma se cumpre a profecia de Isaías:"Se rasgásseis os céus, se descêsseis" (Is 63. 19). Sobre o cumprimento da profecia nos fala o Papa Francisco:"Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuridão, sem esperança." 
     O Batismo de Jesus nos remete a considerar nosso próprio batismo, seu significado, os compromissos dele advindos. 
      O Espírito Santo desce sobre Jesus que ouve a voz do Pai: "Tu é meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer". Com certeza, o Espírito também paira sobre nós e o amor paternal do Pai lança sobre nós seu imenso bem-querer. O acontecimento do Batismo de Jesus evidencia nosso Deus uno e Trino: o Pai que envia seu próprio Filho, no Espírito Santo, para que se cumpra o projeto divino de Salvação.
      Jesus, evidentemente, não precisava ser batizado. Ele assumiu nossa condição humana, tornou-se em tudo igual a nós, menos no pecado. Sendo assim, não precisava ser purificado pela água do batismo joanino. No entanto, quis ser batizado. Nessa atitude vemos duas dimensões. Na primeira, ele quis, desde o início, mostrar-se obediente ao Pai, para demonstrar que veio cumprir o plano de Salvação, o projeto de nossa libertação. Na segunda, expressou sua solidariedade conosco, homens e mulheres sujeitos ao pecado. Jesus não tinha pecado algum, mas revelou-se, desde sempre, solidário com os pecadores. 
      Em síntese, o Batismo de Jesus mostra-nos que Jesus é Filho de Deus ("Tu és o meu Filho amado"), que veio cumprir o projeto de libertação da humanidade pecadora, a qual estava perdida desde a desobediência ocorrida no paraíso. 

      Lembremos de nosso batismo, que nos insere na comunidade dos filhos de Deus, e de nossa Crisma, na qual fomos ungidos com o óleo sagrado, e procuremos viver como Jesus que, batizando e unido, "andou por toda parte fazendo o bem". Para isso não precisamos ir muito longe: nossa própria família nosso ambiente de trabalho ou estudo, nossos grupos sociais são para nós terra de missão. Acolhamos com alegria a mensagem desta festa. Que ela nos comprometa ainda mais como discípulos missionários do Filho amado do Pai. 


Os Sacramentais

Sacramentos e Sacramentais 

     Muitas vezes nos chamam a atenção alguns ritos especiais na liturgia: eles têm uma forma parecida com a dos sacramentos, mas são diferentes quanto ao conteúdo. Trata-se dos sacramentais. Um sacramental vive do mundo da liturgia e nele encontra o seu alimento, pondo-se necessariamente em relação com os sacramentos, particularmente com a eucaristia. Vale lembrar que os sacramentos são pontos, nós, em que se concentra a ação salvífica realizada em e por Jesus Cristo. No entanto não só nos sacramentos está a força vital da Igreja, mas também em uma série de outros rituais. Os sacramentos são essenciais, mas não esgotam todo o potencial da liturgia. Unidos a eles existem outras formas que expressam o modo de ser da Igreja e de cada comunidade, contribuindo dessa forma para o fortalecimento do povo de Deus que caminha. 
     Podemos diferenciar sacramentos e sacramentais lembrando que os sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo, enquanto os sacramentais são propostos pela Igreja. Sacramentais são ações da Igreja que expressam a sua vontade de santificar a humanidade a caminho. Outro aspecto que diferencia os sacramentos dos sacramentais é a eficácia. Os sacramentos produzem por si os efeitos aos quais se propõem; já quando se trata dos sacramentais, os efeitos do mistério pascal são concedidos por Deus por força da oração de intercessão da Igreja, manifestada nos gestos litúrgicos. Em cada um dos sacramentais é sempre a Igreja quem se exprime e quem age, mas o efeito espiritual de tal ato é concedido pelo Pai.
     Os sacramentais (bênção de abade, consagração de virgem, profissão religiosa, celebração de exéquias, bençãos diversas...) preparam a riqueza celebrativa dos sacramentos e prolongam os seus efeitos, para que o mundo dê testemunho do amor de Deus. Os sacramentos dão prioridade a alguns momentos determinados da vida, enquanto os sacramentais penetram em todas as situações do cotidiano e nelas imprimem o dinamismo do mistério pascal. 
   Esses ritos especiais, a exemplo dos sacramentos, são voltados para a eucaristia e por vezes são realizados dentro de uma celebração eucarística, pois nela encontram a sua plenitude: a humanidade em ação de graças, construindo sua história na força do mistério de Cristo e dirigindo-se à glória do Pai. É justamente esta a meta de um sacramental: introduzir a pessoa de modo mais fácil e rápido no caminho que a leva à realização eterna. 

A celebração dos sacramentais

      Na celebração de um sacramental, há um encontro entre a Igreja e as pessoas que buscam a bênção, e naquele momento é demonstrado o valor que Jesus Cristo encontra na vida da comunidade. Diante dos acontecimentos da vida, a pessoa sente a necessidade de alcançar ou de renovar, pela leitura da Sagrada Escritura, o sentido cristão da história e das coisas. As celebrações da vida passam a ser celebrações da salvação, guiados pela proclamação da palavra de Deus, que é premissa para a celebração de um sacramento. O gesto, por si próprio, pode ter muitos significados, mas, quando feito na celebração de um sacramental, exige profunda visão de fé. Nesse processo, a bênção nada mais é do que o louvor e o pedido que brotam do coração da comunidade animada pela certeza de que Deus é bom e fiel. 

Tipologia dos sacramentais

     Como os sacramentais são muitos e variados, a exemplo das múltiplas relações entre o ser humano e o mundo criado por Deus, sempre houve grande dificuldade em defini-los e classificá-los. Na idade média, muitos eram contados entre os sacramentos. Hoje, para efeito de estudo, podemos agrupá-los da seguinte maneira:

1. Bênçãos - São orações de invocações sobre coisas e pessoas com a intenção de atrais sobre elas a proteção e os benefícios divinos. A Igreja, por meio da sua oração, introduz as pessoas e as suas realidades, na qualidade de criaturas elas já se encontrem sob a proteção de Deus. A bênção das coisas é dada segundo a perspectiva de que Deus quer o crescimento da pessoa e todo bem para ela, desde que esteja um verdadeiro bem, e tem como fundamento a própria ação de Deus na história. Exemplos: bênçãos de doentes, de crianças, de idosos, de casas, carros...

2. Consagrações - No ato da consagração, as  pessoas ou as coisas livremente se põem em total disponibiliza para exercer a vontade de Deus e dar um testemunho mais radical da ação dele na vida da humanidade e na história. Com sua oração, a Igreja confia essas pessoas ou coisas a Deus por meio de Cristo. Por força desse ato, as pessoas ou as coisas continuam a serviço do agir do ser humano, mas com o objetivo de cumprir o plano de Deus referente à humanidade. Nessa categoria podemos incluir a consagração ou dedicação de uma Igreja, de um altar, de um cálice, a bênção de um abade, a consagração de uma virgem, uma profissão religiosa ou monástica. 

3. Exorcismos - Esse terceiro tipo de sacramental é o que, hoje, cria maiores dificuldades, por causa da problemática sobre a presença do demônio na vida da humanidade. Nos exorcismos, a Igreja, a exemplo de Jesus, pede a proteção do Pai no combate contra satanás, que interpõe obstáculos ao desenvolvimento do ser humano e do plano universal de salvação. 
     É importante estarmos atentos à celebração de sacramentais que se realizam diariamente em nossas comunidades. Mesmo diante da dificuldade que temos em definir essas ações da Igreja, podemos identifica-las e vivencia-las com amor, buscando sempre alcançar os bens espirituais que elas visam nos conceder a partir da certeza do amor de um Deus que quer o melhor para seus filhos e sua criaturas.